QUADRADINHO DE OITO

 

oito

“As irmãs metralha vem lançando um jeito novo…”

 

Fala, raça!

Por mais que eu cultive um ódio quase mortal pelo Flamengo, tenho por aí bons amigos que simpatizam pelo time carioca e que nada tem a ver com isso, o que me causa um peso enorme na consciência nesse momento. Zoei tanto a cara desses safados hoje que não me resta outra coisa a não ser pedir desculpas pela conduta exagerada e nada exemplar que tive ao longo do dia. Sabe como é, né… não é sempre que temos a oportunidade de ver jogadores vestidos de rubro-negro fazendo o quadradinho de oito em pleno jogo oficial, ao vivo e para todo o país.

Pudesse prever isso, em nome da moral e dos bons costumes da família tradicional brasileira, teria pedido que Levir levasse o sub-15 ao invés dos titulares, mesmo com a necessidade de manter o ritmo para o jogo de quarta-feira que vem, que é o que realmente importa pra gente. Agora cá estou eu, preocupado com o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha e com o IBAMA ao mesmo tempo. Ainda bem que o filho do Bebeto da Academia não entrou em campo, caso contrário teríamos também o Juizado de Menores na nossa cola e aí a coisa ficaria tão pesada que nem o advogado do Fluminense seria capaz de limpar a nossa barra. Demos sorte.

O lado positivo disso tudo é que se o futebol acabar no Flamengo, eles podem montar um grupo de funk hoje mesmo e começar a faturar: a coreografia tá bem ensaiada e é sucesso garantido. Eu, que não sou lá muito fã desse estilo, não me importaria de escutar por aí, no batidão, uma releitura daquela velha música, sucesso nos anos 80. Porque hoje, mais do que nunca, a gente teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo, com o Wright e tudo mais. É sério.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

HORA DE APOSTAR TODAS AS FICHAS

 

poker

All in: arriscar é preciso.

 

Fala, raça!

Pudera eu entrar numa máquina do tempo e ser lançado diretamente para o dia 26 de novembro de 2014, lá por volta das 21:30, horário de Brasília, para acabar de uma vez por todas com essa ansiedade que tem tomado meus dias e me tirado o sono durante a noite. Nessas horas tenho uma inveja danada de Marty McFly com seu Delorean DMC-12 e não ligaria nem um pouco em perder algumas rodadas do campeonato brasileiro para avançar no calendário, mesmo porque já apertei o botão do foda-se para as partidas que estão sendo jogadas nesse meio tempo. Seria um grande hipócrita se dissesse o contrário.

Enquanto não conheço nenhum Dr. Emmet Brown, me resta aguardar – como todos os mortais – a chegada do jogo derradeiro, aquele que pode decretar o fim do nosso jejum de 43 anos sem um caneco tupiniquim. Imagina nossa seca? Então. Até lá, a grande questão é: poupar ou não poupar os jogadores? Se metermos os caras em campo podemos perder uma peça chave por lesão ou desgaste físico. Ao mesmo tempo, precisamos manter o ritmo de jogo para chegarmos voando para a decisão no Mineirão. Levir, junto com o pessoal da fisiologia, sabe bem disso e é certo que já bolaram um esquema para os três jogos que acontecem nesse período.

Contra o Figueirense foram os reservas. Certíssimo. Contra o Flamengo, alguns titulares devem voltar – pelo simples fato de ser um Galo X Flamengo. Contra o Inter podemos ir com o sub-15 que eu não tô nem aí. Aí você me pergunta: “Vamos abandonar a luta pelo G4 de uma vez por todas?”. Eu respondo: claro que sim. Na boa, não podemos nos preocupar com G4 mais, temos que apostar todas as nossas fichas na Copa do Brasil mesmo. É matemático: pelo G4 são cinco concorrentes. Pela Copa do Brasil, apenas um e valendo título. Não sei vocês, mas eu prefiro brigar contra um do que contra cinco.

É arriscado? Claro que é, mas o risco faz parte da rotina dos vencedores.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS QUE SONHAM

 

sonho

“Les temps sont durs pour les rêveurs.”

 

Fala, raça!

Pode até não parecer, mas não foi fácil fazer o post de hoje. Não que seja difícil juntar meia dúzia de idéias em linhas, confesso, muitas vezes mal traçadas. Ao contrário, acho isso coisa simples, como a bola rolando para o fundo do gol vazio enquanto o adversário caminha calmamente de costas para o lance. Não sou daqueles que ficam remoendo palavras, pensando na melhor maneira de dizer as coisas, não sofro com isso, graças a Deus. Pra mim, a simplicidade está em escrever tão somente o que se sente, uma espécie de transcrição da alma e pronto. As vezes dá certo, outras, não.

É por isso que hoje tá complicado. É que o coração tá pedindo uma coisa e a cabeça, outra. Não tem como não ficar empolgado com a vitória de ontem, com a festa que se viu no Independência – quem diria, lotado. É até injusto pedir ao torcedor que se contenha. Para nós, que nos acostumamos a desafiar a lógica a cada partida, é quase impossível. Ao mesmo tempo, dizer que a coisa está resolvida seria negar nossa própria trajetória até aqui, meus caros. Ora, somos prova viva de que esse placar miserável não significa absolutamente nada para aqueles que acreditam. É claro, uns acreditam mais, outros menos e cada um sabe a medida da sua fé. A nossa, posso garantir, é enorme.

Dito isto, um aviso: preparem-se. Os próximos 13 dias serão de euforia, angústia, ansiedade e sofrimento, onde cada minuto parecerá uma eternidade. Até o clássico derradeiro, o mais cardíaco de todos, o atleticano terá que lidar com esses sentimentos e administrar essa bomba relógio com sabedoria. Newells, Olímpia, Lanus, Corinthians e Flamengo caíram em tentação. Não podemos cometer o mesmo pecado, para lá na frente desfrutarmos da glória dos justos, no lugar em que só os melhores podem estar.

Será um tempo difícil para nós, que há tanto sonhamos com isso. Um sonho legítimo, mas que precisa de muito pé no chão para virar realidade.

Estamos no caminho certo.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

O IMPOSSÍVEL CONTINUA NÃO EXISTINDO

impossivel

Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão. 

Para o cidadão comum “impossível” é a palavra designada para coisas inatingíveis, uma situação irreversível, um caso perdido, algo que não há salvação. É tipo o André Bebezão no futebol. Para o atleticano, “impossível” é apenas neologismo, um termo que não existe no vocabulário preto-e-branco. Aliás, até existia, mas foi trocado por outra expressão: eu acredito.

Há pouco tempo o Mineirão se emocionou e balançou com o coro que levou o Galo ao topo das Américas. E esse grito que, junto com verdadeira torcida, vai voltando aos estádios com o único intuito de apoiar o Galo, pode trazer mais um título inédito para o clube: a Copa do Brasil. Se ela virá ou não, é consequência, coisa do jogo. Por agora, só me resta agradecer.

Obrigado ao desacreditado Levir, que recuperou a alma do Galo, coisa que havíamos perdido no primeiro semestre. Obrigado ao guerreiro Tardelli, que vem nos orgulhando através de sua iminente vontade de presentear a torcida com conquistas épicas. Valeu, Luan, pelas lágrimas da vitória e a disposição de sempre! Ao nosso capitão Léo Silva, monstro e eterno ídolo da massa. Os triunfos estavam desenhados, já estava tudo escrito. A trave que tirou os gols de Carlos, contra o Corinthians, e de Tardelli, contra o Flamengo, foi a mesma que parou o chute do Gimenez. Não podemos condená-la.

Meus caros, o Galo é gigante! Não só o Mineirão é a nossa casa, mas Minas Gerais é nosso quintal, o terreiro do Galão. Aqui, somos imbatíveis. Há muito, o Gigante da Pampulha não tremia da forma como tremeu nos últimos dois espetáculos proporcionados pelo povo de alma preta e branca. Em breve será a vez do Independência, que receberá o maior clássico da sua história. Vocês tem noção disso? Algo grandioso está nos esperando, tenho certeza! Durante cem anos, Galo e torcida viveram um casamento conturbado, mas que nunca ameaçou terminar. Ultimamente, vivem uma lua de mel que também parece interminável. E isso é bom.

E me desculpem pelo erro no começo deste texto. O Galo não extinguiu, apenas redefiniu o termo “impossível”. A palavra existe sim em nosso dicionário, mas aplicada de outra forma: é simplesmente impossível não amar o Galo! É impossível não se arrepiar com essa torcida! É impossível não se emocionar com a entrega desses jogadores.

Que venha a final.

Saudações!

*Daniel é jornalista no interior mineiro. Atleticano como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

O MARVADO GALO CHICO

CHICO

Oh, meu Deus… o tal do Chico vem aí!

Era uma vez um fazendeiro que tinha um galinheiro com 180 galinhas e estava procurando um bom Galo para cobrir todas elas. Um belo dia ele foi à cidade e comprou um Galo chamado Chico. Chico era pelado, cabeçudo, sem crista, sem penas, com olheiras, corcunda, com tênis bamba de lona furado e uma camisa preta e branca com os dizeres “Morra Wright”.

Chegando na fazenda, ele soltou o Chico no galinheiro. O Galo arrancou a camisa e saiu enlouquecido, comendo as 180 galinhas. Deu uma respirada e comeu as 180 de novo. Saiu correndo e enrabou o pastor alemão duas vezes sem tirar. Aí o fazendeiro pegou ele, deu dois sopapos para acalmá-lo e trancou o bicho na gaiola.

– Porra, que fenômeno esse Galo! Pensou o fazendeiro.

As galinhas estavam enlouquecidas com o Chico. Que o Chico era isto… que o Chico era aquilo… uma loucura total. O pior é que o tal do Chico era bruto mesmo.

No dia seguinte ele soltou o bicho de novo e o Chico saiu levantando a poeira. Deu duas voltas no galinheiro faturando todo buraco com penas que encontrou pelo caminho, saiu correndo e comeu o cachorro, o porco e duas vacas. O fazendeiro correu atrás, pegou ele pelo pescoço, deu umas chacoalhadas para acalmá-lo e jogou ele na gaiola de novo.

– Que Galo sacana, vai me cobrir a fazenda inteira! Disse o fazendeiro todo satisfeito.

No dia seguinte, foi buscar o Galo e encontrou a jaula toda arrebentada. O Chico fugiu! Saiu correndo para o galinheiro e encontrou todas as galinhas fumando e assobiando, lá fora o porco com o rabo para o sol, as duas vacas deitadas no chão com a “danada” vermelha falando no Chico, o cachorro com a bunda assada e pensou: “ele vai comer o gado do vizinho, vão me matar!”.

Então ele pegou o cavalo e saiu procurando o Chico sem descanso, seguindo a pista deixada por ele (cabras suspirando, bodes passando hipoglós no fiofó, uma tartaruga que perdeu o casco no tranco, um touro provando lingerie, três capivaras mancando, um pônei sentado no gelo, uma raposa curando as hemorróidas…) até que de repente, à distância, viu Chico caído no chão. Uma cena desgarradora… e os urubus voando em círculos babando de fome. Quando viu os urubus sobrevoando, o fazendeiro entendeu a situação: o Chico já era.

– Nãooooooooo, Chicoooooooo… morreeeeeeeeuuuuuuuu o Chicoooooo!!!!!

Foi quando Chico, cuidadosamente abriu um olho, olhou para o fazendeiro, piscou e disse:

– Shhhhhhhhhhhhh!!!! Fica quieto que eles estão quase descendo, sô!

E desceram. Foi nessa quarta à noite, no Mineirão. O final da história todo mundo já sabe.

É marvado esse tal de Chico, viu.

*A história do Galo Chico é a livre adaptação de uma piada antiga, daquelas contadas lá na roça, na beira do fogão a lenha, na roda de viola ou na mesa do truco dos tentos contados no bago de milho. Lá mesmo, onde urubu não tem vez. 

ENTÃO VAMOS COM A ALMA

alma 

Quando o corpo não suporta a tamanho da alma.

Fala, raça!

Muita coisa rolou nesses últimos dias, inclusive a cabeça de três vacilões que estavam curtindo aposentadoria precoce na Cidade do Galo. Jô, que não anotava um golzinho sequer desde abril, foi o que teve mais chances. Jogou todas na lata de lixo. Caiu na putaria e levou André e Emerson Conceição junto, depois da derrota para o genérico paranaense no ultimo domingo. É… olhando por esse lado, não sei se fico com raiva ou agradeço o nosso ex-camisa 7. Jô escreveu uma história aqui e será sempre lembrado como artilheiro do nosso maior título, mas a vida é feita de escolhas e ele escolheu queimar o próprio filme antes do adeus definitivo. Paciência.

Mesmo com essa treta, a grande verdade é que eu tô pouco me lixando para Jô, André e Beição. Azar é o deles. Nem mesmo a rodada de domingo eu assisti, pra vocês terem uma idéia. Explico: meus amigos, assim que o juiz apitou o final do jogo de quarta-feira passada, no Maracanã, meu único pensamento era na partida de hoje. Como mudar a chave? Como desviar o foco dessa disputa de vida ou morte? Na moral, não tem jeito.

Não sei se pra vocês também foi assim, mas pra mim o tempo passou devagar demais, cruz credo. Depois de uma eternidade, finalmente chegou o dia. É tudo ou nada, meu povo. O Mineirão estará lotado e a banda mais louca da cidade vai querer a vitória, custe o que custar. Os ingressos estão esgotados e a festa promete ser daquelas. Vi um post, acho que no facebook, que dizia assim: “Hoje vamos na técnica. Se eles vierem na técnica, vamos na raça. Se vierem na raça, vamos com a alma.” É assim que tem que ser. Porque a técnica e a raça podem até se igualar em algum momento, mas não existe nada que se compare à alma atleticana. Só ela é capaz de fazer o concreto balançar e o adversário tremer. A alma atleticana é capaz de fazer o cego enxergar, o surdo escutar, o cético acreditar com todas as forças. Só a alma atleticana é capaz de fazer a multidão gritar mais alto, mesmo quando tudo parecer perdido.

A alma atleticana sou eu, é você, é o cara do lado que você nem sabe o nome – e nem precisa saber. A alma atleticana é o grito que sai da arquibancada, é o arrepio inexplicável, a lágrima de emoção. A alma atleticana somos todos nós, pulsando juntos. É dela que precisaremos hoje. É ela que nos fará sair vitoriosos do campo de batalha.

Se prepare, Flamengo. Não lhe quero mal, longe disso. É que temos umas contas aí para acertar.

#VaiPraCimaDelesGalo

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

ANDAREMOS SOBRE AS ÁGUAS

 

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A tua fé será testada.

Fala, raça!

 

Se tem uma coisa em que o Galo se especializou nos últimos anos, foi fazer seu torcedor passar aperto. Sério, cada jogo é um teste cardíaco brutal e cada classificação tem ares de filmes hollywoodianos. Estou pensando até em propor uma mudança naquele jargão “se não for sofrido, não é Galo” para algo do tipo “se não for épico, não é Galo”. Alguém sabe me dizer porque tem que ser sempre assim? Não tô falando? Olha aí, mais uma vez, esse maldito placar de 2×0 que insiste em testar a nossa fé. Dizem que por muito tempo Deus esteve de sacanagem com a gente, culpa daquela promessa não cumprida do Telê em 71, conforme já averigou meu xará Fred Melo Paiva, camarada pelo qual cultivo grande respeito e admiração. Fomos abandonados no deserto, igualzinho aquele povo que andou 40 anos na areia escaldante. Mesmo assim, não descremos.

 

A Libertadores foi o maná vindo do céu, para mostrar que, ao contrário do que muita gente pensava, ele ainda estava ali. Deu as costas porra nenhuma! Tudo não passou de uma pegadinha divina, tão somente para ver se a nossa fé estava em dia, firme. Aí ele aproveitou o embalo e nos deu de presente a Recopa.

 

Agora, mais uma vez, seremos desafiados a pisar na água, no meio da tempestade. Nossa confiança será posta a prova, junto com nossa humildade. Porque confiança é diferente de arrogância, meu velho. Já vi muito atleticano falando que tá fácil virar, que nos tornamos especialistas em reverter esse placar, que será mamata no Mineirão. Bom, confesso que a tentação em concordar com tudo isso é forte, justamente pelo retrospecto recente. Mas espera aí… é preciso calçar as sandálias da humildade, porque nem papai do céu é capaz de transformar perebas em craques da noite para o dia. Talvez, seja, mas não é isso que quero falar.

 

A questão é que sem futebol, não há reza que dê jeito. Se jogarmos pra frente, se jogarmos o que sabemos, é grande nossa chance, ainda mais num Mineirão lotado. Agora, se fizermos igual fizemos ontem, a coisa vai pro saco e não adianta colocar a culpa no homem lá de cima.

 

Vai vendo.

 

#GaloSempre

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA

copacabana

“Lá estava ela, tremulando soberana, nas areias de Copacabana.” Cariogalo.

Fala, raça!

Confesso que dei uma desanimada com internet nesses últimos dias, absurdado com a transformação da grande rede num imenso esgoto humano, carregado de preconceito, intolerância e uma xenofobia inexplicável, quase um nazismo disfarçado. Eu, que possuo raízes nordestinas, fui tomado por uma tristeza profunda, que por muito pouco não se transformou em revolta. O vídeo de Bráulio Bessa me ajudou a sair dessa. Me emocionei. Aí lembrei da Galo da Peste, da Pernambugalo e tantos outros irmãos alvinegros que lá estão. Lembrei de um povo feliz, de um povo batalhador, corajoso, inteligente e criativo, que transborda cultura e amizade sincera. E aí tive pena. Não deles, mas dos tolos que não conhecem o que é a alma nordestina e a importância que essa gente tem para o resto do Brasil. É como diz o poeta: triste o povo que não sabe de onde vem. Essa é a mais pura verdade, traduzida em meia dúzia de palavras.

Noves fora, vida que segue.

Tem muito marmanjo por aí tentando explicar o sucesso do Galo nas três últimas temporadas, querendo descobrir a todo custo a fórmula mágica da vitória que foi secretamente desenvolvida em Lourdes e que só duas pessoas nesse mundo sabem a receita: a dona Terezinha – a tia que entra com as crianças antes dos jogos do Atlético e o Belmiro, que, tenho certeza, não falariam nem sob tortura. Nem mesmo se ameaçassem cometer o maior sacrilégio de todos, que é queimar a bandeira do Galo, eles abririam o bico. Então, meus caros… desistam.

O fato é que essa receita milagrosa tem feito o Galo vir numa pegada muito forte desde 2012, resultando nas conquistas da Libertadores em 2013 e da Recopa, em 2014. Mas ainda falta um detalhe, a tal cereja do bolo: falta levantar um título nacional para exorcizarmos – de uma vez por todas – a urucubaca que nos persegue desde 1971. Questão de justiça, tão somente.

Uma Copa do Brasil, mesmo não sendo lá grandes coisas, já resolveria essa questão. Em nosso caminho, adivinha só… o Flamengo de Luxemburgo. Pô, isso só pode ser um presente do destino! É a oportunidade perfeita para cobrarmos duas dívidas de uma só vez, com juros e correção. Se liga Flamengo, chegou a sua hora. Primeiro jogo no Rio, a volta no Mineirão. Assim como nas décadas de 70 e 80, a massa promete tomar a praia dos caras, azarar as garotas de biquini – somente as que estiverem com a depilação em dia – e fazer a festa no Maracanã. Vai ser lindo ver a bandeira alvinegra balançando ao vento carioca, mais uma vez.

Nem precisa ser outro Maracanazzo, não faço questão de tanto. Desejo apenas que a peleja seja justa, que o embate seja honesto. Acho que não é pedir muito.

Vamos campeonar, meus amigos. Precisamos apenas vencer mais algumas batalhas.

Aqui é Galo.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

ENFIM, O GALO DE LEVIR.

levir

Burro com sorte é o caralho.

Por Lindson Brum*, especialmente para o Terreirão.

Meus amigos, aquele Galo do início do ano não existe mais. Aquele time que estava em cacos, sem padrão de jogo e que fazia o atleticano ficar ressabiado, faz parte do passado. Hoje, o Atlético tem a cara de Levir. O técnico fez milagre e com praticamente o mesmo elenco mudou totalmente a realidade alvinegra. Em resumo, tirou leite de pedra. Nosso time tomou forma e agora joga um futebol moderno e competitivo. Tem motivação, alma e confiança.

O desenho do time começa com um santo ali atrás e termina com um iluminado lá na frente. No Galo de Levir, o meia-atacante Luan joga de volante e o papel do centroavante é compartilhado por 3 jogadores. Donizete – um cara bruto, rústico e sistemático – se limita a destruir as jogadas adversárias e Marcos Rocha sabe a hora certa de atacar e defender. Mais que qualidades individuais, isso é inteligência e obediência tática de um time. Isso é treinamento. Isso é o Galo de Levir.

A formatação atual permite que o Galo ataque pelos lados ou pelo centro, acabando com a previsibilidade e não dando tempo da defesa adversária respirar. Os quatro homens de frente jogam próximos e tem o apoio de Luan, Rocha e Douglas Santos, que chegam com muita freqüência lá na frente.

Os estudiosos ainda não conseguiram definir a formação tática e teórica do Galo. Se alguém te perguntar, pode escolher o 4-3-3, o 4-1-4-1 ou o 4-2-3-1 e correr pro abraço. Durante o jogo, todas elas acontecem. É possível comprovar até o 4-2-4, se quiser. É que o Galo de Levir varia o tempo todo.

Dátolo voltou a ser aquele meia dos tempos de Boc­­­a Juniors, quase um 3º volante que marca, arma e ataca. Guilherme encarnou o oportunismo do velho companheiro de Marques e agora joga mais próximo do gol, mesmo não sendo “a referência” do time. No Galo de Levir, a referência é quem estiver mais à frente naquele momento. Nesse esquema, Tardelli tem papel fundamental: se movimenta o tempo todo, joga de meia, de atacante, centro avante, volta pra marcar… além da contribuição técnica, tem ajudado a motivar o time e a torcida. No jogo de quarta, mereceu mais uma pedrinha no seu já estrelado galardão de idolatria junto à Massa.

No Galo de Levir não há espaços para corpo mole. A formação com André ou Jô acaba matando o rápido ataque atleticano. A função previamente determinada inviabiliza a troca constante da referência. Com isso, o mais prejudicado é Carlos, que se limita a ser um “Bernard com pouca alegria nas pernas”.

Se esse time vai chegar lá na frente e levantar a taça, não dá pra saber, mas arrisco a dizer que algo de fundamental importância foi novamente ativada: a confiança do time e da torcida. Se você, assim como eu, deve um pedido de desculpas a Levir, fique tranqüilo: tem mais um monte de gente aí devendo.

Fique sempre entre nós, meu bom velhinho. Quem sabe ano que vem não vamos todos pro Japão?

*Lindson Brum é ex-blogueiro da ESPN e co-autor do Livro América: Terreirão do Galo. Siga no twitter:@lindsonbrum

DESCONHECEMOS O IMPOSSÍVEL

guilherme

Serás questionado até o último dos teus dias, mesmo que injustamente.

Fala, raça.

Maldito seja o placar de 2X0 na casa do adversário, que nos faz temer pelo pior. Maldito seja esse resultado que nos traz lembranças de ídolos que não estão mais conosco e de outros que teimam em queimar a própria história. Maldito seja.

Bendito seja os dois tentos contra, que nos fazem lembrar de viradas heróicas, do choro de alegria, da testada aos 41 minutos do segundo tempo. Bendito seja esse resultado adverso, que nos faz ter a certeza de que o impossível não existe. Bendito seja.

Maldita seja a rede de Victor balançando aos quatro minutos, como um abalo císmico devastador de esperanças. Essa sina de ter a certeza de que se é pra ser, vai ser sempre do jeito mais difícil. Sempre. Vai ser com nosso craque chegando de uma viagem de mais de trinta horas e jogando com a alma. Vai ser com gol de Luan, a personificação da raça atleticana. Vai ser com costela quebrada. Vai ser com Guilherme decidindo, outra vez. E mais outra. Vai ser até com Edcarlos, esse sacana que num jogo nos mata de raiva e no outro nos mata de alegria.

Benditas sejam as viradas históricas, os jogos imortais. Bendito seja todo esforço, cada palmo conquistado. Benditos sejam os 32 mil que não arredaram pé e que estiveram no Gigante da Pampulha, esse estádio que nos agiganta ainda mais.

Valeu Victor. Valeu Jemerson, Marcos Rocha, Douglas, Donizete, Josué, Carlos, Maicosuel, Dátolo e Marion. Valeu por não terem desistido, em nenhum momento. Valeu Levir, seu velho doido.

Bendita seja a dança da vitória. Porque não há nada como um dia após o outro.

#GaloSempre

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com