PERDÃO, A CULPA FOI MINHA.

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Quando Robinho partiu pra bola, eu achei que a maldição havia terminado.

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Durante anos escrevi para quem quisesse ler sobre o orgulho de ser alvinegro e que o Galo nos bastava, convicto de que essa era uma das leis fundamentais do universo. Não importava a fase, não importavam os pangarés que vestiam nossa camisa, não importava se era Libertadores ou torneio de porrinha. A gente era Galo Doido e pronto. E éramos felizes pra caramba assim, pagando ingresso de “2 Real”, comendo tropeiro de verdade e gritando que Danilinho era Seleção.

Quando Victor defendeu aquele pênalti com o pé esquerdo, isolando toda zica grudada em cada atleticano para a pêquêpê, a coisa começou a mudar. Eu não vi, porque estava de costas para o lance, tipo o Fábio no gol do Vanderlei. Vi depois pela TV e até hoje, quando vejo, dá um frio na barriga. Parece que Riascos vai converter aquele maldito penal e me despertar de um sonho bom numa manhã de segunda-feira, quando já é hora de sair para o trabalho. Ainda bem que o Victor sempre defende de canhota. Acontece que não vi nenhum pênalti daquela Libertadores. É uma superstição e não poderia quebrar a corrente. Imagina se a bola entra por minha culpa? Nem a pau. Valei-me, São Victor!

Pois é. Não vi os pênaltis, mas vi quando Guilherme deu aquele chute de fora da área, contra o Newell’s. Também vi quando Ferreyra levou uma rasteira do destino e depois, quando Leonardo Silva testou aquela bola aos 42 da etapa final. Os pênaltis não vi e vocês já sabem o motivo, mas me lembro do barulho da bola batendo na trave, na cobrança derradeira. Foi ali que o Galo deu uma guinada na própria história: deixou de ser o time do quase e se transformou no time dos milagres, das viradas improváveis, no time do “eu acredito”. Levantamos a mais emocionante Libertadores de todos os tempos e nossa gente sofrida finalmente encontrou a terra prometida, depois de 40 anos vagando pelo deserto.

No ano seguinte, eu fui testemunha de algo espetacular: eu vi nossa torcida ganhando um campeonato. Quem ainda ousa dizer que torcida não ganha jogo, precisa urgentemente assistir aos jogos do Galo daquele ano. Fomos nós, sim, que vencemos aquelas partidas. O time era bom, claro, mas os dois – torcida e time – eram um só, com uma viseira que nos permitia enxergar apenas a vitória. Quem viveu aquilo de perto sabe: a energia que vinha da arquibancada era coisa de doido. Não tinha jogo perdido, não tinha placar irreversível. Corinthians e Flamengo que o digam. Nosso maior ex-rival também sofreu na nossa mão e na bendita Quarta do Goulart levantamos mais um troféu. O choro foi livre.

Agora, em 2016, chegamos às fases decisivas da Libertadores e do Super Rural. O Galo precisa apenas de duas vitórias simples para levantar o caneco regional e passar para as quartas de final do torneio continental. Tarefas simples e tranquilas, fossem outros tempos. Eu, insone atleticano, estou acordado aqui às 3 da manhã – a tal da hora do capeta – angustiado, precisando mandar a real para vocês, irmãos alvinegros (juro não estar possuído por nenhuma entidade maligna): se não houver uma mudança de postura imediata da nossa torcida, estamos ferrados. Se não apoiarmos 100% esse time, de nada valerá o gol de Lucas Pratto aos 48 do segundo tempo contra o América. Se não estivermos juntos com os caras, terá sido em vão toda luta em Avellaneda. E aí, meu amigo, seremos novamente o time do quase. É isso que você quer? Não, né.

A boa notícia é que ainda há tempo de reverter o quadro de crüzeirização bizarra da Massa. Então, acorda, pô! Ninguém desaprende a torcer! Nesta quarta-feira, vamos fazer a maior Rua de Fogo que já existiu e espero que você esteja lá, erguendo seu sinalizador, mostrando para o Brasil e o mundo que a Massa é foda. Que o Independência seja transformado num caldeirão sinistro, capaz de fazer tremer o adversário, como nos bons tempos do Cemitério do Horto. Que eles borrem as calças e tenham vontade de sair correndo, pegar o primeiro voo atrás do colo da mamãe, lá na Argentina.

Que no domingo a dose se repita no Gigante da Pampulha. Que a diretoria ajude também, colocando ingressos a preços populares, para que possamos abarrotar o Mineirão e gritar insanamente, como se fossem os últimos 105 minutos das nossas vidas. Vamos fazer o que fazemos de melhor, que é levar o Galo à vitória. Da minha parte, prometo nunca mais cair em tentação e não ver mais nenhuma cobrança de penal… perdão, Robinho, no último domingo a culpa foi minha.

*Post originalmente publicado no Estado de Minas em 03/05/2016

SOBRE IDAS E VINDAS: O FIM DO TERREIRÃO

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É que nada dura pra sempre. Menos o Galo. 

Meus amigos e irmãos de arquibancada,

Esse Galo danado nos deixou mal acostumados demais, hein? Três derrotas e já tem nego querendo incendiar a sede de Lourdes, como se a série B estivesse fungando novamente no nosso cangote. É muito desespero para quem há menos de um trimestre estava comemorando a quarta-feira do Goulart.

Enfim, esse post é por outro motivo.

É sobre uma decisão que eu já tinha tomado há algum tempo e estava protelando, mais por apego do que por outra coisa. Sabe aquela história de largar o osso? Pois é.

O nascimento da Carolzinha essa semana me fez colocar algumas idéias no lugar, organizar minha vida em escala de prioridade. Vi que, por mais que eu tente – tal qual uma mula teimosa – ficou difícil manter o Terreirão com a dedicação que ele merece. O fato é que não me sinto confortável em deixá-lo de lado e isso tem acontecido com frequência, já que o tempinho que eu tinha para administrar aquela parada toda agora é – e será cada vez mais – dedicado à minha pequena atleticana.

É por isso que tomei a decisão de dar lugar à outro torcedor maluco, que vai tratar aquele canhão da forma como ele merece. Se o cara tiver metade da moral que vocês sempre me deram, tenho certeza, já será feliz pra caramba.

Valeu por estarem comigo lá nesses 4 anos. Cada comentário foi precioso e eu sentirei falta disso. E sim, eu li todos eles. Fomos do inferno à glória juntos, vimos Ronaldinho jogar no nosso time, transformamos um goleiro em santo, levantamos grandes títulos. Eu tenho um orgulho danado de ter participado, mesmo que miseravelmente, dessa história.

É claro que isso não se fez sozinho. Aliás, nem toda grana do mundo pagaria a dedicação dos caras que estiveram ao meu lado nessa, principalmente nos perrengues. Porque é aquele negócio: escrever blog na boa é fácil demais. Complicado é buscar palavras bacanas quando a coisa fica feia, naquele momento em que você precisa motivar essa massa gigantesca, até quando você mesmo duvida um pouco. Meu mestre Munaier, a galera do Terreirão Cast, o Zeca, o Ragazzi, o Daniel, a Karine, o Lindson e tantos outros que doaram seu tempo à este projeto. Valeu demais, galera. De verdade.

É provável que eu não faça nenhum post de despedida lá no globoesporte. Melhor assim, porque eu sou péssimo em despedidas.

A gente se vê no estádio, qualquer dia desses.

Abração!

‪#‎GaloSempre‬

GALO NA VEIA: CAMINHO SEM VOLTA

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O Galo tem uma mina de ouro nas mãos: a sua própria torcida.

Fala, raça! Senta aí que hoje o post é longo, mas é por uma justa causa.

A boa notícia de que o Galo alcançou, em fevereiro, a marca de 40 mil sócios no Galo na Veia me deixou satisfeito e é prova de que o torcedor está, aos poucos, se conscientizando do que realmente é a parada. Coincidência ou não, esse salto aconteceu justamente no momento em que o Atlético liberou alguns benefícios, como compra de ingressos pela internet e desconto para sócios, coisa tão básica que o programa chegava a ser ridicularizado pela própria torcida por não oferecê-los. Com razão, diga-se de passagem.

Acontece que isso me fez pensar no por quê do Galo na Veia ainda não ter decolado, sendo fato comprovado o fanatismo ensandecido da nossa torcida. O principal motivo apontado pelos especialistas de boteco é a capacidade do Horto, atualmente insuficiente para atender sequer o numero de sócios que o Galo já possui. Caso todos os sócios resolvam ir no mesmo jogo do Atlético, os pouco mais de 20 mil lugares do Independência seriam disputados no tapa.

O preço, que já foi um dos grandes entraves para adesão geral, hoje é um problema superado. Antes só existia a opção do GNV Black, por 300 pilas mensais. Eu já fui dessa categoria, mas não aguentei o último reajuste e tive que dar adeus ao cartão pretinho que me dava direito de ir à todos os jogos com mando do Galo sem ter que me preocupar com absolutamente nada. Aí fui para o GNV Prata, que é relativamente barato (R$ 35,00 por mês) e me possibilita a compra antecipada de ingressos pela internet, desconto nas lojas do Galo e descontos consideráveis na aquisição dos ingressos, ultimamente. O preço do GNV Prata é tão irrisório que consigo recuperar essa grana investida no Galo numa ida ao supermercado (aproveitando os descontos do Futebol Melhor) ou comprando ingresso. Para você ter idéia, o desconto que tive na compra do ingresso da final da Copa do Brasil, no ano passado, paga praticamente um ano inteiro de GNV Prata. Ou seja, se você vai ao campo pelo menos uma vez por mês, só sendo muito burro para não aderir ao sócio.

Outra bola levantada, dessa vez pela galera das redes sociais, é o total abandono que o torcedor que mora no interior e fora do estado experimentou nos últimos anos. A eles, não foi dispensada a minima atenção, chegando ao cúmulo de ouvirmos, em rede nacional, que torcida do interior não tinha importância. Claro que Kalil tem seus méritos e para mim – e para 99% da torcida – é o maior presidente que o Galo já teve, mas vacilava muito nesse aspecto. Ok, o que fazer então, para alcançar o cara que mora lá nos cafundó do Judas e que quase não assiste jogos in-loco?

Eu, particularmente, acho bastante justo o preço do GNV Prata e considerava ideal até mesmo para quem mora fora de BH. Aí caí na besteira de perguntar no meu twitter porque a galera ainda não aderiu à essa maravilha e tive respostas que me fizeram olhar além do meu umbigo. Junto, o pessoal me mandou algumas sugestões bacanas que fariam o Galo na Veia ser mais interessante para quem é do interior. Se o Galo, a Adriana White ou o Nepomuceno vão ver isso, só Deus sabe. Pelo sim, pelo não, ficam aqui registradas as idéias da galera.

O principal apelo do GNV Prata hoje é a possibilidade de compra de ingresso pela internet, descontos na Loja do Galo e pontuação no programa, que dá acesso, por exemplo, à visita ao CT do Galo. Acontece que para quem mora no interior isso e nada é a mesma coisa, uma vez que o cara não compra ingresso, não tem acesso à Loja do Galo (lembrando que hoje os descontos são apenas nas lojas físicas) e não consegue de jeito nenhum visitar a Cidade do Galo, porque as promoções são do tipo “relâmpago” e a gente sabe muito bem que quem vem de longe precisa se programar com o mínimo de antecedência. Não vou falar da rede conveniada porque ela não serve nem para quem mora em BH e nem das trocas por pontos porque é até engraçado ter que juntar 50 mil pontinhos para trocar por um copo de plástico. Esquece isso. Resumindo: quem mora no interior e tem o GNV hoje, faz isso tão somente por amor e isso é legal pra caramba. Acontece que quem vive de amor é motel, então os caras querem ter alguma coisa em troca para aderirem avassaladoramente ao programa e fazer o Galo ter, num piscar de olhos, seus tão sonhados 100 mil sócios.

A idéia seria o Galo criar um plano de sócio baratinho, entre R$ 10 e R$ 20, que dê direito a compra on-line sem desconto algum, quando o cara resolver vir assistir o jogo uma vez na vida e outra na morte. Além disso, liberar o desconto na compra de material oficial na Loja do Galo on-line e tentar uma negociação junto às operadoras de pay-per-view, para descontos na aquisição de pacotes para os jogos do Galo. Essa última até eu ia querer, rs… A possibilidade de agendar visitas ao CT quando vierem a BH também é uma boa idéia, mas envolve uma logística que ainda precisa ser pensada.

São medidas simples que alavancariam a adesão, certamente. O que precisamos levar em conta é o custo operacional disso tudo, uma vez que a idéia do sócio torcedor é ajudar o clube, e não o contrário. Temos que ter a consciência de que um programa que oferece mais benefícios que o valor cobrado passa a ser prejudicial para o clube, e automaticamente, impossível de ser operado. Esse é o X da questão.

Muita gente falou em liberar o pagamento da mensalidade via boleto, mas temos que concordar que o pagamento via cartão de crédito é a única maneira de minimizar a inadimplência. Agora, a forma de pagamento no momento da aquisição dos ingressos on-line realmente precisa ser revista: as poucas opções de bandeira de cartão de crédito (que eu me lembre, somente VISA está sendo aceito) e a impossibilidade de pagamento via débito em conta dificultam e muito a vida do torcedor. Eu mesmo tenho que ficar correndo atrás de cartão dos outros emprestado toda vez que quero comprar ingresso e isso é um saco, já que minha bandeira é Mastercard e ainda não é aceita pelo sistema. Ajuda aí, Galo.

O fato é que seja por amor ou por retorno concreto, o GNV é um caminho sem volta. Exemplo disso é a venda on-line para o jogo da próxima quarta-feira (calma, Goulart… engole o choro). Em poucas horas de comercialização, alguns portões já foram esgotados. Assim, num futuro bem próximo, se o cara não for sócio do clube, ficará difícil assistir um jogo do Galo na arquibancada… e a gente sabe que o atleticano só é feliz completamente quando está dentro do estádio.

Então, faça o seguinte: invista na sua felicidade, meu velho. Seja sócio Galo na Veia, ajude o Galo de verdade e bora rumo aos 50 mil sócios.

A gente se vê por aí.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

QUE 2015 SEJA MÁGICO TAMBÉM

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Reveillon alvinegro é taça no Salão de Festas.

Fala, raça!

Celebramos o término de mais um ciclo e os momentos que vivemos nele estarão para sempre nas nossas melhores lembranças. Foi um ano de muito “atrupelamento”, de quartas-feiras intermináveis – afinal de contas, sempre vai ter mais nesse dia engraçado que nunca chega de verdade – e uma lição de vida: acreditar é muito melhor do que “ter certeza”, até porque somente os tolos têm certeza, já dizia o poeta candango Evan do Carmo.

Foi assim, acreditando no improvável, que levantamos mais dois canecos nesse ano que passou e fomos elevados ao status de “melhor clube brasileiro da temporada” mais uma vez, segundo o IFFHS. Não que eu ligue pra isso. Na verdade, não tô nem aí para o que o IFFHS diz, mas é que esse ranking deixa nossos rivais tão descontrolados que fica divertido lembrar dele, só de sacanagem.

Agora, 2014 já é passado e os feitos nele realizados são história. 2015 está aí, as esperanças estão renovadas e a confiança em mais um ano vitorioso transborda em nossas taças. Com a humildade de sempre, a alegria de sempre e a raça de sempre, chegaremos lá, mais uma vez. Podem apostar.

Nesse primeiro dia de 2015, gostaria de abraçar cada um de vocês como se aquele gol do Luan – o quarto contra o Flamengo – acabasse de acontecer no Mineirão, agradecendo por estarmos juntos torcendo contra o vento, acreditando até o fim, incondicionalmente.

Porque essa é a nossa sina.

Vocês estão preparados? Que venham os desafios.

#GaloSempre

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

HASTA LA VITORIA, SIEMPRE!

 

leo

Leonardo Silva levantou o troféu e toda arrogância foi, finalmente, castigada.

Fala, raça!

Quando eu me ajoelhei no Mineirão para  agradecer aquela vitória épica sobre o Corinthians, não fazia a menor idéia do que o destino ainda nos reservava. Naquele momento, me bastava aquilo: eu tava com a alma lavada, sentia que 99 fora vingado e tava tudo certo. Aí veio o Flamengo com aquela marra toda, munido da confiança de quem sabe que se não for na bola vai ser no apito. Outra vez terminei o jogo de joelhos, no chão de concreto, enquanto a Massa festejava no Gigante da Pampulha: o Galo havia sido heróico novamente. Confesso que já não sabia mais se éramos um time de futebol ou cobradores do SPC/SERASA vestidos de preto e branco, correndo atrás daqueles que insistiam em fugir de suas obrigações para com a sociedade. Tomado pela alegria, decretei que parte da dívida rubro-negra estava quitada e que o restante do saldo devedor poderia ser parcelado, ad aeternum, tipo o Refis do governo federal. E fomos para a decisão.

A diferença é que dali pra frente eu não queria apenas vencer mais um jogo. Sabia que poderíamos mais. E eu comecei a desejar mais, como um faminto que já olha para o segundo prato de comida sem nem mesmo ter terminado o primeiro. Eu tinha fome de vitória e sede de vingança. Mais do que nunca, desejei ser campeão e aquilo agora era questão de honra.

Foi quando o destino aprontou mais uma vez e colocou o cruzeiro na nossa reta. O maior clássico de todos os tempos! O tira-teima do futebol nacional, o jogo entre as duas melhores equipes do país, o oásis do futebol mineiro. Nunca antes o Galo e seu maior rival haviam se enfrentado numa decisão dessa envergadura. Nunca antes estiveram em estado de graça ao mesmo tempo. Nunca. Nos últimos dois anos, Atlético e CEC jogaram o fino da bola, dominaram o futebol continental e tupiniquim. Todos questionavam qual deles era melhor, coisa difícil de responder dados os parâmetros de comparação. Em 2014, os dois times ficaram frente a frente e essa pergunta foi, finalmente, respondida.

O futebol mais vibrante, apaixonante e empolgante do país foi também o mais técnico e eficiente. Dois jogos, duas vitórias. Inquestionável. Como um rolo compressor, passamos por cima do esquadrão celeste como se estivéssemos enfrentando uma Tombense da vida, em jogo treino. A superioridade foi tamanha que Victor, acostumado a operar milagres nas grandes decisões, não precisou fazer nenhum nessa final. Na moral? Foi mais fácil do que imaginei, o que só confirma o que eu, você, o cara da BHTrans e o Brasil inteiro já sabíamos: é jogo contra o Galo, elas tremem mesmo.

Que venha a Libertadores 2015, porque meu portunhol meia-tijela já está calibrado.

Hasta la vitória, siempre!

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

QUADRADINHO DE OITO

 

oito

“As irmãs metralha vem lançando um jeito novo…”

 

Fala, raça!

Por mais que eu cultive um ódio quase mortal pelo Flamengo, tenho por aí bons amigos que simpatizam pelo time carioca e que nada tem a ver com isso, o que me causa um peso enorme na consciência nesse momento. Zoei tanto a cara desses safados hoje que não me resta outra coisa a não ser pedir desculpas pela conduta exagerada e nada exemplar que tive ao longo do dia. Sabe como é, né… não é sempre que temos a oportunidade de ver jogadores vestidos de rubro-negro fazendo o quadradinho de oito em pleno jogo oficial, ao vivo e para todo o país.

Pudesse prever isso, em nome da moral e dos bons costumes da família tradicional brasileira, teria pedido que Levir levasse o sub-15 ao invés dos titulares, mesmo com a necessidade de manter o ritmo para o jogo de quarta-feira que vem, que é o que realmente importa pra gente. Agora cá estou eu, preocupado com o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha e com o IBAMA ao mesmo tempo. Ainda bem que o filho do Bebeto da Academia não entrou em campo, caso contrário teríamos também o Juizado de Menores na nossa cola e aí a coisa ficaria tão pesada que nem o advogado do Fluminense seria capaz de limpar a nossa barra. Demos sorte.

O lado positivo disso tudo é que se o futebol acabar no Flamengo, eles podem montar um grupo de funk hoje mesmo e começar a faturar: a coreografia tá bem ensaiada e é sucesso garantido. Eu, que não sou lá muito fã desse estilo, não me importaria de escutar por aí, no batidão, uma releitura daquela velha música, sucesso nos anos 80. Porque hoje, mais do que nunca, a gente teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo, com o Wright e tudo mais. É sério.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

HORA DE APOSTAR TODAS AS FICHAS

 

poker

All in: arriscar é preciso.

 

Fala, raça!

Pudera eu entrar numa máquina do tempo e ser lançado diretamente para o dia 26 de novembro de 2014, lá por volta das 21:30, horário de Brasília, para acabar de uma vez por todas com essa ansiedade que tem tomado meus dias e me tirado o sono durante a noite. Nessas horas tenho uma inveja danada de Marty McFly com seu Delorean DMC-12 e não ligaria nem um pouco em perder algumas rodadas do campeonato brasileiro para avançar no calendário, mesmo porque já apertei o botão do foda-se para as partidas que estão sendo jogadas nesse meio tempo. Seria um grande hipócrita se dissesse o contrário.

Enquanto não conheço nenhum Dr. Emmet Brown, me resta aguardar – como todos os mortais – a chegada do jogo derradeiro, aquele que pode decretar o fim do nosso jejum de 43 anos sem um caneco tupiniquim. Imagina nossa seca? Então. Até lá, a grande questão é: poupar ou não poupar os jogadores? Se metermos os caras em campo podemos perder uma peça chave por lesão ou desgaste físico. Ao mesmo tempo, precisamos manter o ritmo de jogo para chegarmos voando para a decisão no Mineirão. Levir, junto com o pessoal da fisiologia, sabe bem disso e é certo que já bolaram um esquema para os três jogos que acontecem nesse período.

Contra o Figueirense foram os reservas. Certíssimo. Contra o Flamengo, alguns titulares devem voltar – pelo simples fato de ser um Galo X Flamengo. Contra o Inter podemos ir com o sub-15 que eu não tô nem aí. Aí você me pergunta: “Vamos abandonar a luta pelo G4 de uma vez por todas?”. Eu respondo: claro que sim. Na boa, não podemos nos preocupar com G4 mais, temos que apostar todas as nossas fichas na Copa do Brasil mesmo. É matemático: pelo G4 são cinco concorrentes. Pela Copa do Brasil, apenas um e valendo título. Não sei vocês, mas eu prefiro brigar contra um do que contra cinco.

É arriscado? Claro que é, mas o risco faz parte da rotina dos vencedores.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS QUE SONHAM

 

sonho

“Les temps sont durs pour les rêveurs.”

 

Fala, raça!

Pode até não parecer, mas não foi fácil fazer o post de hoje. Não que seja difícil juntar meia dúzia de idéias em linhas, confesso, muitas vezes mal traçadas. Ao contrário, acho isso coisa simples, como a bola rolando para o fundo do gol vazio enquanto o adversário caminha calmamente de costas para o lance. Não sou daqueles que ficam remoendo palavras, pensando na melhor maneira de dizer as coisas, não sofro com isso, graças a Deus. Pra mim, a simplicidade está em escrever tão somente o que se sente, uma espécie de transcrição da alma e pronto. As vezes dá certo, outras, não.

É por isso que hoje tá complicado. É que o coração tá pedindo uma coisa e a cabeça, outra. Não tem como não ficar empolgado com a vitória de ontem, com a festa que se viu no Independência – quem diria, lotado. É até injusto pedir ao torcedor que se contenha. Para nós, que nos acostumamos a desafiar a lógica a cada partida, é quase impossível. Ao mesmo tempo, dizer que a coisa está resolvida seria negar nossa própria trajetória até aqui, meus caros. Ora, somos prova viva de que esse placar miserável não significa absolutamente nada para aqueles que acreditam. É claro, uns acreditam mais, outros menos e cada um sabe a medida da sua fé. A nossa, posso garantir, é enorme.

Dito isto, um aviso: preparem-se. Os próximos 13 dias serão de euforia, angústia, ansiedade e sofrimento, onde cada minuto parecerá uma eternidade. Até o clássico derradeiro, o mais cardíaco de todos, o atleticano terá que lidar com esses sentimentos e administrar essa bomba relógio com sabedoria. Newells, Olímpia, Lanus, Corinthians e Flamengo caíram em tentação. Não podemos cometer o mesmo pecado, para lá na frente desfrutarmos da glória dos justos, no lugar em que só os melhores podem estar.

Será um tempo difícil para nós, que há tanto sonhamos com isso. Um sonho legítimo, mas que precisa de muito pé no chão para virar realidade.

Estamos no caminho certo.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

O MARVADO GALO CHICO

CHICO

Oh, meu Deus… o tal do Chico vem aí!

Era uma vez um fazendeiro que tinha um galinheiro com 180 galinhas e estava procurando um bom Galo para cobrir todas elas. Um belo dia ele foi à cidade e comprou um Galo chamado Chico. Chico era pelado, cabeçudo, sem crista, sem penas, com olheiras, corcunda, com tênis bamba de lona furado e uma camisa preta e branca com os dizeres “Morra Wright”.

Chegando na fazenda, ele soltou o Chico no galinheiro. O Galo arrancou a camisa e saiu enlouquecido, comendo as 180 galinhas. Deu uma respirada e comeu as 180 de novo. Saiu correndo e enrabou o pastor alemão duas vezes sem tirar. Aí o fazendeiro pegou ele, deu dois sopapos para acalmá-lo e trancou o bicho na gaiola.

– Porra, que fenômeno esse Galo! Pensou o fazendeiro.

As galinhas estavam enlouquecidas com o Chico. Que o Chico era isto… que o Chico era aquilo… uma loucura total. O pior é que o tal do Chico era bruto mesmo.

No dia seguinte ele soltou o bicho de novo e o Chico saiu levantando a poeira. Deu duas voltas no galinheiro faturando todo buraco com penas que encontrou pelo caminho, saiu correndo e comeu o cachorro, o porco e duas vacas. O fazendeiro correu atrás, pegou ele pelo pescoço, deu umas chacoalhadas para acalmá-lo e jogou ele na gaiola de novo.

– Que Galo sacana, vai me cobrir a fazenda inteira! Disse o fazendeiro todo satisfeito.

No dia seguinte, foi buscar o Galo e encontrou a jaula toda arrebentada. O Chico fugiu! Saiu correndo para o galinheiro e encontrou todas as galinhas fumando e assobiando, lá fora o porco com o rabo para o sol, as duas vacas deitadas no chão com a “danada” vermelha falando no Chico, o cachorro com a bunda assada e pensou: “ele vai comer o gado do vizinho, vão me matar!”.

Então ele pegou o cavalo e saiu procurando o Chico sem descanso, seguindo a pista deixada por ele (cabras suspirando, bodes passando hipoglós no fiofó, uma tartaruga que perdeu o casco no tranco, um touro provando lingerie, três capivaras mancando, um pônei sentado no gelo, uma raposa curando as hemorróidas…) até que de repente, à distância, viu Chico caído no chão. Uma cena desgarradora… e os urubus voando em círculos babando de fome. Quando viu os urubus sobrevoando, o fazendeiro entendeu a situação: o Chico já era.

– Nãooooooooo, Chicoooooooo… morreeeeeeeeuuuuuuuu o Chicoooooo!!!!!

Foi quando Chico, cuidadosamente abriu um olho, olhou para o fazendeiro, piscou e disse:

– Shhhhhhhhhhhhh!!!! Fica quieto que eles estão quase descendo, sô!

E desceram. Foi nessa quarta à noite, no Mineirão. O final da história todo mundo já sabe.

É marvado esse tal de Chico, viu.

*A história do Galo Chico é a livre adaptação de uma piada antiga, daquelas contadas lá na roça, na beira do fogão a lenha, na roda de viola ou na mesa do truco dos tentos contados no bago de milho. Lá mesmo, onde urubu não tem vez. 

ENTÃO VAMOS COM A ALMA

alma 

Quando o corpo não suporta a tamanho da alma.

Fala, raça!

Muita coisa rolou nesses últimos dias, inclusive a cabeça de três vacilões que estavam curtindo aposentadoria precoce na Cidade do Galo. Jô, que não anotava um golzinho sequer desde abril, foi o que teve mais chances. Jogou todas na lata de lixo. Caiu na putaria e levou André e Emerson Conceição junto, depois da derrota para o genérico paranaense no ultimo domingo. É… olhando por esse lado, não sei se fico com raiva ou agradeço o nosso ex-camisa 7. Jô escreveu uma história aqui e será sempre lembrado como artilheiro do nosso maior título, mas a vida é feita de escolhas e ele escolheu queimar o próprio filme antes do adeus definitivo. Paciência.

Mesmo com essa treta, a grande verdade é que eu tô pouco me lixando para Jô, André e Beição. Azar é o deles. Nem mesmo a rodada de domingo eu assisti, pra vocês terem uma idéia. Explico: meus amigos, assim que o juiz apitou o final do jogo de quarta-feira passada, no Maracanã, meu único pensamento era na partida de hoje. Como mudar a chave? Como desviar o foco dessa disputa de vida ou morte? Na moral, não tem jeito.

Não sei se pra vocês também foi assim, mas pra mim o tempo passou devagar demais, cruz credo. Depois de uma eternidade, finalmente chegou o dia. É tudo ou nada, meu povo. O Mineirão estará lotado e a banda mais louca da cidade vai querer a vitória, custe o que custar. Os ingressos estão esgotados e a festa promete ser daquelas. Vi um post, acho que no facebook, que dizia assim: “Hoje vamos na técnica. Se eles vierem na técnica, vamos na raça. Se vierem na raça, vamos com a alma.” É assim que tem que ser. Porque a técnica e a raça podem até se igualar em algum momento, mas não existe nada que se compare à alma atleticana. Só ela é capaz de fazer o concreto balançar e o adversário tremer. A alma atleticana é capaz de fazer o cego enxergar, o surdo escutar, o cético acreditar com todas as forças. Só a alma atleticana é capaz de fazer a multidão gritar mais alto, mesmo quando tudo parecer perdido.

A alma atleticana sou eu, é você, é o cara do lado que você nem sabe o nome – e nem precisa saber. A alma atleticana é o grito que sai da arquibancada, é o arrepio inexplicável, a lágrima de emoção. A alma atleticana somos todos nós, pulsando juntos. É dela que precisaremos hoje. É ela que nos fará sair vitoriosos do campo de batalha.

Se prepare, Flamengo. Não lhe quero mal, longe disso. É que temos umas contas aí para acertar.

#VaiPraCimaDelesGalo

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com