NOSSO NOVO VELHO SONHO

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Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão.

O barulho da bola chutada por Gimenez explodindo na trave da meta defendida pelo Santo fará parte das nossas melhores lembranças por toda a eternidade. O dia 25 de julho de 2013 estará nas memórias de todo aquele que gosta de futebol, principalmente, dos loucamente apaixonados pelo Galo. Renascíamos ali.

Foi sofrido. Foi inacreditável. Foi épico.

Agora desejamos que tudo se repita. Talvez um pouco menos sofrido, um pouco menos dramático. Contudo, se esse for o preço da glória, estamos dispostos a pagar. Se tiver que ser assim, que seja… já estamos acostumados e o coração alvinegro aguenta. Para o mais supersticioso, o Galo campeão daquele ano também estreou na Libertadores numa quarta-feira de cinzas. A falta d’água ainda não havia atingido a cidade de São Paulo, mas atingiu o time do São Paulo. Ronaldinho tomando água das mãos de Rogério Ceni, como esquecer?

Nosso adversário, que se cuide. Durante a Copa do Mundo, o Chile se instalou na toca da raposa, CT do crüzeiro, e incorporou o espírito: mal viu o Galo e já tremeu. Se o Colo-Colo vai tremer, é outra história.

Só sei que se faltar técnica, vamos na raça, como sempre fizemos. A força do ‘Eu Acredito’ já foi provada. Depois da saga da Copa do Brasil, quem ousaria duvidar desse Galo?

A Cordilheira não amedronta quem já conquistou a América. E que a história alvinegra continue sendo escrita, linda, heróica, sofrida. A torcida mais fanática do país quer novamente soltar o grito de campeão.

Vamos, Galo.

*Daniel Resende é jornalista no interior mineiro. Assim como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

RESGATAMOS NOSSA HISTÓRIA

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Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão.

A massa alvinegra vive, mais do que nunca, seus anos de ouro. Don Corleone já dizia que o importante é sempre fazer bons negócios e assim segue o matrimônio entre o esquadrão alvinegro e torcida mais fanática do país. Não importa onde, não importa quando, nem quantos. Pode ser o exército de um homem só nas arquibancadas. Esse único louco atleticano calará a multidão do outro lado, pois o grito preto-e-branco é mais alto, assim como a raça de quem defende essa camisa se torna soberana sobre a técnica.

Quem me dera fossem todos os títulos inéditos. Eu e, com certeza, tantos outros milhões, comemoramos como se não houvesse o amanhã. Tem gente na Praça 7 até agora achando que ainda é dia 26 de novembro. E daí? Para quem viveu o que vivemos na últimas semanas, uma simples confusão com o calendário não é nada. A verdade é que o atleticano merece tudo que vêm conquistando e muito mais. Não há justiça maior do que essas vitórias acachapantes contra nossos três maiores rivais: Flamengo, CEC e Corinthians. Agora, tudo está em seu devido lugar.

Precisamos lembrar ainda que, não fosse um erro grotesco de arbitragem na final do Campeonato Mineiro deste ano, nos juntaríamos a Cruzeiro, Paysandu, Sampaio Correa, Santos, Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Grêmio na conquista da “tríplice coroa genérica”. Obviamente não comemoraríamos conquista tão tosca, ao contrário de alguns por aí que acreditam verdadeiramente que tal façanha os coloque no mesmo patamar de um Bayern da vida. É triste saber disso, em plena era da informação.

Certa vez, Ayrton Senna deu uma declaração reflexiva: “o dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa e que ela vai chegar”. Nessa frase, Senna se referia à morte. Contudo, para o Galo, esse trecho se remete à vida, à glória. Nossos dias chegaram com justiça e merecimento. Não mais dependemos da sorte, pois temos competência de sobra. Nunca deixamos a prepotência tomar conta de nossos corpos, pois somos filhos do “eu acredito”. Foi assim, com humildade, garra e confiança, que chegamos até aqui.

Serei eternamente grato à esses jogadores, por terem encarnado a alma atleticana e defendido nossas cores verdadeiramente. Com os olhos suados, não me resta muito mais a dizer.

Somos campeões. Saudações!

*Daniel Resende é jornalista no interior mineiro. Assim como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

O IMPOSSÍVEL CONTINUA NÃO EXISTINDO

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Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão. 

Para o cidadão comum “impossível” é a palavra designada para coisas inatingíveis, uma situação irreversível, um caso perdido, algo que não há salvação. É tipo o André Bebezão no futebol. Para o atleticano, “impossível” é apenas neologismo, um termo que não existe no vocabulário preto-e-branco. Aliás, até existia, mas foi trocado por outra expressão: eu acredito.

Há pouco tempo o Mineirão se emocionou e balançou com o coro que levou o Galo ao topo das Américas. E esse grito que, junto com verdadeira torcida, vai voltando aos estádios com o único intuito de apoiar o Galo, pode trazer mais um título inédito para o clube: a Copa do Brasil. Se ela virá ou não, é consequência, coisa do jogo. Por agora, só me resta agradecer.

Obrigado ao desacreditado Levir, que recuperou a alma do Galo, coisa que havíamos perdido no primeiro semestre. Obrigado ao guerreiro Tardelli, que vem nos orgulhando através de sua iminente vontade de presentear a torcida com conquistas épicas. Valeu, Luan, pelas lágrimas da vitória e a disposição de sempre! Ao nosso capitão Léo Silva, monstro e eterno ídolo da massa. Os triunfos estavam desenhados, já estava tudo escrito. A trave que tirou os gols de Carlos, contra o Corinthians, e de Tardelli, contra o Flamengo, foi a mesma que parou o chute do Gimenez. Não podemos condená-la.

Meus caros, o Galo é gigante! Não só o Mineirão é a nossa casa, mas Minas Gerais é nosso quintal, o terreiro do Galão. Aqui, somos imbatíveis. Há muito, o Gigante da Pampulha não tremia da forma como tremeu nos últimos dois espetáculos proporcionados pelo povo de alma preta e branca. Em breve será a vez do Independência, que receberá o maior clássico da sua história. Vocês tem noção disso? Algo grandioso está nos esperando, tenho certeza! Durante cem anos, Galo e torcida viveram um casamento conturbado, mas que nunca ameaçou terminar. Ultimamente, vivem uma lua de mel que também parece interminável. E isso é bom.

E me desculpem pelo erro no começo deste texto. O Galo não extinguiu, apenas redefiniu o termo “impossível”. A palavra existe sim em nosso dicionário, mas aplicada de outra forma: é simplesmente impossível não amar o Galo! É impossível não se arrepiar com essa torcida! É impossível não se emocionar com a entrega desses jogadores.

Que venha a final.

Saudações!

*Daniel é jornalista no interior mineiro. Atleticano como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

DEIXEM-ME VOLTAR

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*Por Daniel Resende, especialmente para o Terreirão.

Antes do velho Mineirão vir abaixo, eu sabia que, quando fosse o momento do nosso reencontro, não seríamos mais os mesmos. Nem eu, nem o gigante de concreto. Os três anos que nos separaram foram como décadas, anos luz talvez. O tempo e a distância fizeram com que eu perdesse parte da minha força, mas minha mística permaneceu intacta.

O brilho do ouro, que cega os corações ambiciosos, frustrou meu retorno evidente e provável. Tínhamos um Deus em campo e eu só podia vê-lo pela TV. Levantamos troféus que só pude ver à distancia. Não merecia tratamento tão cruel.

Agora, tudo o que peço é que me deixem voltar. Com meu chinelo de dedo e camisa rasgada, a condução contada. Quero gritar durante noventa minutos, como se minha vida dependesse disso. Sentir a arquibancada tremer com meu peso colossal.

Nos últimos anos, fui a personificação contrária do projeto de JK: ao invés de evoluir 50 anos em cinco, eu envelheci 50. Minha voz não é mais a mesma, mas a alma é. No fundo ainda sou aquela que fazia o mais fanático rival parar diante da televisão e me aplaudir. Que fazia o jogador alvinegro correr dobrado pelo simples fato de eu estar ali.

Preciso voltar, pelo abraço anônimo após o gol, pelas camisas girando no ar – independente da temperatura – e pela verdadeira festa na arquibancada. Antes que seja tarde, eu imploro: me aceitem novamente.

Aí seremos felizes para sempre.

*Daniel é jornalista no interior mineiro. Atleticano como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no Twitter: @danielmresende

 

**Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com