SOBRE IDAS E VINDAS: O FIM DO TERREIRÃO

fred

É que nada dura pra sempre. Menos o Galo. 

Meus amigos e irmãos de arquibancada,

Esse Galo danado nos deixou mal acostumados demais, hein? Três derrotas e já tem nego querendo incendiar a sede de Lourdes, como se a série B estivesse fungando novamente no nosso cangote. É muito desespero para quem há menos de um trimestre estava comemorando a quarta-feira do Goulart.

Enfim, esse post é por outro motivo.

É sobre uma decisão que eu já tinha tomado há algum tempo e estava protelando, mais por apego do que por outra coisa. Sabe aquela história de largar o osso? Pois é.

O nascimento da Carolzinha essa semana me fez colocar algumas idéias no lugar, organizar minha vida em escala de prioridade. Vi que, por mais que eu tente – tal qual uma mula teimosa – ficou difícil manter o Terreirão com a dedicação que ele merece. O fato é que não me sinto confortável em deixá-lo de lado e isso tem acontecido com frequência, já que o tempinho que eu tinha para administrar aquela parada toda agora é – e será cada vez mais – dedicado à minha pequena atleticana.

É por isso que tomei a decisão de dar lugar à outro torcedor maluco, que vai tratar aquele canhão da forma como ele merece. Se o cara tiver metade da moral que vocês sempre me deram, tenho certeza, já será feliz pra caramba.

Valeu por estarem comigo lá nesses 4 anos. Cada comentário foi precioso e eu sentirei falta disso. E sim, eu li todos eles. Fomos do inferno à glória juntos, vimos Ronaldinho jogar no nosso time, transformamos um goleiro em santo, levantamos grandes títulos. Eu tenho um orgulho danado de ter participado, mesmo que miseravelmente, dessa história.

É claro que isso não se fez sozinho. Aliás, nem toda grana do mundo pagaria a dedicação dos caras que estiveram ao meu lado nessa, principalmente nos perrengues. Porque é aquele negócio: escrever blog na boa é fácil demais. Complicado é buscar palavras bacanas quando a coisa fica feia, naquele momento em que você precisa motivar essa massa gigantesca, até quando você mesmo duvida um pouco. Meu mestre Munaier, a galera do Terreirão Cast, o Zeca, o Ragazzi, o Daniel, a Karine, o Lindson e tantos outros que doaram seu tempo à este projeto. Valeu demais, galera. De verdade.

É provável que eu não faça nenhum post de despedida lá no globoesporte. Melhor assim, porque eu sou péssimo em despedidas.

A gente se vê no estádio, qualquer dia desses.

Abração!

‪#‎GaloSempre‬

GALO NA VEIA: CAMINHO SEM VOLTA

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O Galo tem uma mina de ouro nas mãos: a sua própria torcida.

Fala, raça! Senta aí que hoje o post é longo, mas é por uma justa causa.

A boa notícia de que o Galo alcançou, em fevereiro, a marca de 40 mil sócios no Galo na Veia me deixou satisfeito e é prova de que o torcedor está, aos poucos, se conscientizando do que realmente é a parada. Coincidência ou não, esse salto aconteceu justamente no momento em que o Atlético liberou alguns benefícios, como compra de ingressos pela internet e desconto para sócios, coisa tão básica que o programa chegava a ser ridicularizado pela própria torcida por não oferecê-los. Com razão, diga-se de passagem.

Acontece que isso me fez pensar no por quê do Galo na Veia ainda não ter decolado, sendo fato comprovado o fanatismo ensandecido da nossa torcida. O principal motivo apontado pelos especialistas de boteco é a capacidade do Horto, atualmente insuficiente para atender sequer o numero de sócios que o Galo já possui. Caso todos os sócios resolvam ir no mesmo jogo do Atlético, os pouco mais de 20 mil lugares do Independência seriam disputados no tapa.

O preço, que já foi um dos grandes entraves para adesão geral, hoje é um problema superado. Antes só existia a opção do GNV Black, por 300 pilas mensais. Eu já fui dessa categoria, mas não aguentei o último reajuste e tive que dar adeus ao cartão pretinho que me dava direito de ir à todos os jogos com mando do Galo sem ter que me preocupar com absolutamente nada. Aí fui para o GNV Prata, que é relativamente barato (R$ 35,00 por mês) e me possibilita a compra antecipada de ingressos pela internet, desconto nas lojas do Galo e descontos consideráveis na aquisição dos ingressos, ultimamente. O preço do GNV Prata é tão irrisório que consigo recuperar essa grana investida no Galo numa ida ao supermercado (aproveitando os descontos do Futebol Melhor) ou comprando ingresso. Para você ter idéia, o desconto que tive na compra do ingresso da final da Copa do Brasil, no ano passado, paga praticamente um ano inteiro de GNV Prata. Ou seja, se você vai ao campo pelo menos uma vez por mês, só sendo muito burro para não aderir ao sócio.

Outra bola levantada, dessa vez pela galera das redes sociais, é o total abandono que o torcedor que mora no interior e fora do estado experimentou nos últimos anos. A eles, não foi dispensada a minima atenção, chegando ao cúmulo de ouvirmos, em rede nacional, que torcida do interior não tinha importância. Claro que Kalil tem seus méritos e para mim – e para 99% da torcida – é o maior presidente que o Galo já teve, mas vacilava muito nesse aspecto. Ok, o que fazer então, para alcançar o cara que mora lá nos cafundó do Judas e que quase não assiste jogos in-loco?

Eu, particularmente, acho bastante justo o preço do GNV Prata e considerava ideal até mesmo para quem mora fora de BH. Aí caí na besteira de perguntar no meu twitter porque a galera ainda não aderiu à essa maravilha e tive respostas que me fizeram olhar além do meu umbigo. Junto, o pessoal me mandou algumas sugestões bacanas que fariam o Galo na Veia ser mais interessante para quem é do interior. Se o Galo, a Adriana White ou o Nepomuceno vão ver isso, só Deus sabe. Pelo sim, pelo não, ficam aqui registradas as idéias da galera.

O principal apelo do GNV Prata hoje é a possibilidade de compra de ingresso pela internet, descontos na Loja do Galo e pontuação no programa, que dá acesso, por exemplo, à visita ao CT do Galo. Acontece que para quem mora no interior isso e nada é a mesma coisa, uma vez que o cara não compra ingresso, não tem acesso à Loja do Galo (lembrando que hoje os descontos são apenas nas lojas físicas) e não consegue de jeito nenhum visitar a Cidade do Galo, porque as promoções são do tipo “relâmpago” e a gente sabe muito bem que quem vem de longe precisa se programar com o mínimo de antecedência. Não vou falar da rede conveniada porque ela não serve nem para quem mora em BH e nem das trocas por pontos porque é até engraçado ter que juntar 50 mil pontinhos para trocar por um copo de plástico. Esquece isso. Resumindo: quem mora no interior e tem o GNV hoje, faz isso tão somente por amor e isso é legal pra caramba. Acontece que quem vive de amor é motel, então os caras querem ter alguma coisa em troca para aderirem avassaladoramente ao programa e fazer o Galo ter, num piscar de olhos, seus tão sonhados 100 mil sócios.

A idéia seria o Galo criar um plano de sócio baratinho, entre R$ 10 e R$ 20, que dê direito a compra on-line sem desconto algum, quando o cara resolver vir assistir o jogo uma vez na vida e outra na morte. Além disso, liberar o desconto na compra de material oficial na Loja do Galo on-line e tentar uma negociação junto às operadoras de pay-per-view, para descontos na aquisição de pacotes para os jogos do Galo. Essa última até eu ia querer, rs… A possibilidade de agendar visitas ao CT quando vierem a BH também é uma boa idéia, mas envolve uma logística que ainda precisa ser pensada.

São medidas simples que alavancariam a adesão, certamente. O que precisamos levar em conta é o custo operacional disso tudo, uma vez que a idéia do sócio torcedor é ajudar o clube, e não o contrário. Temos que ter a consciência de que um programa que oferece mais benefícios que o valor cobrado passa a ser prejudicial para o clube, e automaticamente, impossível de ser operado. Esse é o X da questão.

Muita gente falou em liberar o pagamento da mensalidade via boleto, mas temos que concordar que o pagamento via cartão de crédito é a única maneira de minimizar a inadimplência. Agora, a forma de pagamento no momento da aquisição dos ingressos on-line realmente precisa ser revista: as poucas opções de bandeira de cartão de crédito (que eu me lembre, somente VISA está sendo aceito) e a impossibilidade de pagamento via débito em conta dificultam e muito a vida do torcedor. Eu mesmo tenho que ficar correndo atrás de cartão dos outros emprestado toda vez que quero comprar ingresso e isso é um saco, já que minha bandeira é Mastercard e ainda não é aceita pelo sistema. Ajuda aí, Galo.

O fato é que seja por amor ou por retorno concreto, o GNV é um caminho sem volta. Exemplo disso é a venda on-line para o jogo da próxima quarta-feira (calma, Goulart… engole o choro). Em poucas horas de comercialização, alguns portões já foram esgotados. Assim, num futuro bem próximo, se o cara não for sócio do clube, ficará difícil assistir um jogo do Galo na arquibancada… e a gente sabe que o atleticano só é feliz completamente quando está dentro do estádio.

Então, faça o seguinte: invista na sua felicidade, meu velho. Seja sócio Galo na Veia, ajude o Galo de verdade e bora rumo aos 50 mil sócios.

A gente se vê por aí.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

VAI ENTENDER ESSA RAÇA

raça

Por Rodrigo Raynner*, especialmente para o Terreirão.

Irmãos alvinegros,

Trocando idéia com os amigos desde o primeiro gol do Colo-Colo até agora, por pouco não chutei o balde e desisti de amansar os ex-se-não-é-sofrido-não-é-Galo e os ex-eu-acredito, que logo na estréia foram dizimados pela falha do São Victor e imediatamente ressuscitados por uma espécie de Gyodai do futebol que os transformou em monstros corneteiros altamente destrutivos.

Como eu não sou nenhum Change-Robô ou o Gigante Daileon para lutar contra esses caras, deixo o destino sob a incumbência de mostrar, mais uma vez, que o Galo merece nossa confiança. A não ser que você seja do tipo que acha que uma derrota no início de temporada representa o fim do mundo, transformando automaticamente o time campeão de 2014 num bando de peladeiros comandados por um burro sem sorte, quero convidá-lo a pensar comigo.

É preciso, antes de tudo, tomar uma água com açúcar, dar uma respirada daquelas bem profundas e, voltando à racionalidade, entender as raízes de todas as nossas aflições, coisa normal pra quem torce para o Galo ou para qualquer time de futebol.

Primeiro, o tal planejamento. Trata-se de uma ilusória preparação para o que poderá acontecer durante todo o ano. Só tem uma coisa que atrapalha o planejamento de qualquer clube: o fato de os adversários não participarem das reuniões e nem assinarem a ata onde foram estabelecidas as metas. Pelo contrário, eles querem é atrapalhar mesmo. Qualquer planejamento se limita a saber a quantidade de jogos da temporada, quantas viagens, a logística e a quantidade de atletas necessários para as competições no ano, de acordo com a projeção de desempenho em cada uma delas. Importante lembrar que quando se trata de mata-mata, o planejamento vai pro ralo quando o juiz apita o início da partida.

Depois, o acaso. O acaso é mais um inimigo do planejamento. Pode acontecer antes, durante ou depois do jogo. Pode chegar num acidente doméstico ou numa trombada mal calculada num treino coletivo. Um exemplo claro de acaso foi a contusão do Emerson no primeiro jogo oficial de 2014 e duas semanas depois, Rever precisar fazer uma cirurgia no tornozelo. Me explica, velho! Como é que planeja isso? Você dispensa dois zagueiros reservas e contrata outros dois mais novos e com salários mais baixos pra recompor o grupo. Certinho. Aí logo no primeiro mês da temporada o time perde dois zagueiros por contusão e a galera reclama de falta de planejamento? Tá entendendo?

Bilionários chineses também fazem parte do acaso e podem ser enviados pelo capeta pra tirar, de um dia para o outro, nossos melhores jogadores. Aí não tem planejamento que agüente mesmo.

Na sequência, o futebol. Jogo fantástico, apaixonante, empolgante e imprevisível. Possibilita que o pobre vença o rico, o fraco vença o forte, o pior vença o melhor. Talvez por isso seja tão louco, mas quando o resultado foge à lógica que está na prancheta do Papai Joel, nêgo fica louco e quer o time todo na rua. Ora! Você é viciado em futebol porque é “uma caixinha de surpresas”, meu caro. Agora, quando seu time – que é o melhor do universo – perde, você acha o fim do mundo? Quer ganhar sempre? Marca jogo com o crüzeiro, fera!

Finalmente, o Galo. Está acima de planejamento, acaso e até do futebol. Atleticanos não estão nem aí pra futebol! Atleticano gosta do Galo e pronto! Torcer pro Galo te livra da necessidade de qualquer noção técnica, tática ou física. Torcer pro Galo não combina com paciência, moderação ou controle emocional. Atleticano apóia o time quando cai pra série B, mas vê como tragédia perder numa estréia de Libertadores, jogando com 4 desfalques, fora de casa, para um time tradicional na América do Sul, o mais forte do Chile.

Obviamente, ser atleticano isenta o sujeito de qualquer comportamento coerente e isso torna inútil toda a minha explicação anterior. Quem tá puto continuará puto até que o Galo vença novamente. Aí, de puto o cara volta à categoria dos “se-não-é-sofrido-não-é-Galo”, cria um grupo  “eu-acredito-até-o-fim” no whatsapp e enche o meu celular de montagens fantásticas do Galo, fazendo menção a milagres, dificuldades e superação.

Vai entender essa raça, hein.

NOSSO NOVO VELHO SONHO

liberta

Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão.

O barulho da bola chutada por Gimenez explodindo na trave da meta defendida pelo Santo fará parte das nossas melhores lembranças por toda a eternidade. O dia 25 de julho de 2013 estará nas memórias de todo aquele que gosta de futebol, principalmente, dos loucamente apaixonados pelo Galo. Renascíamos ali.

Foi sofrido. Foi inacreditável. Foi épico.

Agora desejamos que tudo se repita. Talvez um pouco menos sofrido, um pouco menos dramático. Contudo, se esse for o preço da glória, estamos dispostos a pagar. Se tiver que ser assim, que seja… já estamos acostumados e o coração alvinegro aguenta. Para o mais supersticioso, o Galo campeão daquele ano também estreou na Libertadores numa quarta-feira de cinzas. A falta d’água ainda não havia atingido a cidade de São Paulo, mas atingiu o time do São Paulo. Ronaldinho tomando água das mãos de Rogério Ceni, como esquecer?

Nosso adversário, que se cuide. Durante a Copa do Mundo, o Chile se instalou na toca da raposa, CT do crüzeiro, e incorporou o espírito: mal viu o Galo e já tremeu. Se o Colo-Colo vai tremer, é outra história.

Só sei que se faltar técnica, vamos na raça, como sempre fizemos. A força do ‘Eu Acredito’ já foi provada. Depois da saga da Copa do Brasil, quem ousaria duvidar desse Galo?

A Cordilheira não amedronta quem já conquistou a América. E que a história alvinegra continue sendo escrita, linda, heróica, sofrida. A torcida mais fanática do país quer novamente soltar o grito de campeão.

Vamos, Galo.

*Daniel Resende é jornalista no interior mineiro. Assim como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende