FICA, VAI TER RAIO.

raio

*Por Rodrigo Raynner, especialmente para o Terreirão.

Esses dias eu estava assistindo à uma entrevista de São Victor onde ele descrevia de forma sensacional, do ponto de vista de quem fica ali debaixo das traves, o lance mais fantástico que eu já vi no futebol mundial. Após me emocionar pela milionésima vez relembrando aquela noite em que Riascos partiu para a bola, eu fiquei pensando em como, nos últimos anos, nossa vida de Galo tem sido dura e fantástica ao mesmo tempo. Como diria o grande Mário Henrique: “porquêêêê que tem que ser tão sofriiiiiiido assim, meu Deus?”

Voltando um pouco no tempo – para não sofrermos demais – começo com o inesquecível Atlético 3×2 Fluminense, pelo segundo turno do Brasileirão 2012. Naquele jogo começamos a mudar uma das terríveis tradições do Galo: a de jogar muito e deixar a vitória escapar, geralmente com uma desculpa esfarrapada que parecia consoladora, mas não resolvia nada. Naquele dia poderíamos ter saído do Independência orgulhosos com o time, como em várias vezes, porém decepcionados com o resultado no placar. O cruzamento de Ronaldinho para a cabeçada de Leonardo Silva, aos 47 minutos daquela partida, decretou o fim disso tudo. Uma virada espetacular, no finalzinho do jogo. Esse repertório soa familiar?

No ano seguinte, o raio foi lá e caiu mais uma vez no mesmo lugar. O raio! O Big Bang do Galo! Aquilo foi mais indescritível do que qualquer lance que eu já vi na vida! Sem muito esforço, a canhota do Victor extinguiria os dinossauros novamente. Alguém me explica como o DeLorean não apareceu, de repente, dentro daquela pequena área?

Aí vieram os hermanos e… KABRUUUUUM! O raio caiu de novo. Pensa no lance do segundo gol, cara! A bola estava praticamente nas mãos do arqueiro argentino! O volante tirou a bola do goleiro, deu uma espanada para fora da área e ela caiu lindamente nos pés, quem diria, de Guilherme. E se ele deixa pro goleiro? E se ele acerta na veia e manda aquela bola no meio de campo? E se Guilherme não acerta aquele chute? E se… não véio! Para! Tinha que ser! Aquele lance foi uma tempestade de raios dentro da grande área do Newells!

Talvez, assim como eu, você também tenha pensado: “Pronto! Gastamos toda a sorte que não tivemos em 105 anos de história!” Aí tivemos aquela furada do zagueiro dentro da área, deixando a bola para Jô marcar o primeiro gol naquele 24 de julho. Tivemos aquele carrinho que o Elias Kalil deu no Tanque Ferreira de frente para o gol vazio, aquela cabeceada toda desequilibrada de Leonardo Silva mandando a bola para o fundo das redes… foi raio demais naquela final contra o Olímpia. Foi tanto raio que nem a CEMIG sabia o que fazer.

E o Galo foi Campeão da Libertadores.

Aí veio 2014 e antes que o segundo semestre começasse, já tinha atleticano jogando a temporada no lixo. Libertadores tinha ido pro saco, o Brasileirão estava nas mãos do nosso rival… só nos restava a Recopa e a Copa do Brasil. No tira-teima sulamericano, a sorte nos sorriu mais uma vez. Depois de um jogo duríssimo contra o Lanus, dois gols-contra definiram o resultado da partida, na prorrogação. Sofremos 90 minutos para isso. Levantamos mais uma taça.  Tinha que ser assim.

Foi aí que a fábrica de raios voltou a funcionar. Era Copa do Brasil. Depois de passarmos pelo fraquíssimo Palmeiras, só pegaríamos “pedreira” até a final, com a chance de enfrentarmos o crüzeiro na melhor fase da sua história. Pra muitos, um azar. Mesmo depois de enfiarmos 4×1 no Corinthians, muita gente duvidou que teríamos força para reverter o placar diante do Flamengo, mas assim como minha avó falava de espelho e guarda-chuva, a narração do gol rubronegro decretando-o “classificadasso”, atraiu mais uma tempestade de raios para o Mineirão. Outra virada louca. Estávamos na final e era o crüzeiro.

Aí eu pensei que seria complicado. Que nada. Vencemos tranquilamente, sem raio, nem nada. Dois jogos de supremacia total, tanto no Independência, quanto no Mineirão. E fomos campeões.

2015 começa nesse domingo! Prepare o coração porque, certamente, será sofrido. Eu já estou acostumado. Desde aquela cabeçada do Leo Silva, aos 47′ contra o Flu, eu ouvi essa história de que  “raio não cai duas vezes no mesmo lugar” uma porrada de vezes. E, honestamente, já não sei mais quem acredita nesse lorota.

Preparem os pára-raios aí. Se Deus quiser, esse ano tem mais.

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