RESGATAMOS NOSSA HISTÓRIA

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Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão.

A massa alvinegra vive, mais do que nunca, seus anos de ouro. Don Corleone já dizia que o importante é sempre fazer bons negócios e assim segue o matrimônio entre o esquadrão alvinegro e torcida mais fanática do país. Não importa onde, não importa quando, nem quantos. Pode ser o exército de um homem só nas arquibancadas. Esse único louco atleticano calará a multidão do outro lado, pois o grito preto-e-branco é mais alto, assim como a raça de quem defende essa camisa se torna soberana sobre a técnica.

Quem me dera fossem todos os títulos inéditos. Eu e, com certeza, tantos outros milhões, comemoramos como se não houvesse o amanhã. Tem gente na Praça 7 até agora achando que ainda é dia 26 de novembro. E daí? Para quem viveu o que vivemos na últimas semanas, uma simples confusão com o calendário não é nada. A verdade é que o atleticano merece tudo que vêm conquistando e muito mais. Não há justiça maior do que essas vitórias acachapantes contra nossos três maiores rivais: Flamengo, CEC e Corinthians. Agora, tudo está em seu devido lugar.

Precisamos lembrar ainda que, não fosse um erro grotesco de arbitragem na final do Campeonato Mineiro deste ano, nos juntaríamos a Cruzeiro, Paysandu, Sampaio Correa, Santos, Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Grêmio na conquista da “tríplice coroa genérica”. Obviamente não comemoraríamos conquista tão tosca, ao contrário de alguns por aí que acreditam verdadeiramente que tal façanha os coloque no mesmo patamar de um Bayern da vida. É triste saber disso, em plena era da informação.

Certa vez, Ayrton Senna deu uma declaração reflexiva: “o dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa e que ela vai chegar”. Nessa frase, Senna se referia à morte. Contudo, para o Galo, esse trecho se remete à vida, à glória. Nossos dias chegaram com justiça e merecimento. Não mais dependemos da sorte, pois temos competência de sobra. Nunca deixamos a prepotência tomar conta de nossos corpos, pois somos filhos do “eu acredito”. Foi assim, com humildade, garra e confiança, que chegamos até aqui.

Serei eternamente grato à esses jogadores, por terem encarnado a alma atleticana e defendido nossas cores verdadeiramente. Com os olhos suados, não me resta muito mais a dizer.

Somos campeões. Saudações!

*Daniel Resende é jornalista no interior mineiro. Assim como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

HASTA LA VITORIA, SIEMPRE!

 

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Leonardo Silva levantou o troféu e toda arrogância foi, finalmente, castigada.

Fala, raça!

Quando eu me ajoelhei no Mineirão para  agradecer aquela vitória épica sobre o Corinthians, não fazia a menor idéia do que o destino ainda nos reservava. Naquele momento, me bastava aquilo: eu tava com a alma lavada, sentia que 99 fora vingado e tava tudo certo. Aí veio o Flamengo com aquela marra toda, munido da confiança de quem sabe que se não for na bola vai ser no apito. Outra vez terminei o jogo de joelhos, no chão de concreto, enquanto a Massa festejava no Gigante da Pampulha: o Galo havia sido heróico novamente. Confesso que já não sabia mais se éramos um time de futebol ou cobradores do SPC/SERASA vestidos de preto e branco, correndo atrás daqueles que insistiam em fugir de suas obrigações para com a sociedade. Tomado pela alegria, decretei que parte da dívida rubro-negra estava quitada e que o restante do saldo devedor poderia ser parcelado, ad aeternum, tipo o Refis do governo federal. E fomos para a decisão.

A diferença é que dali pra frente eu não queria apenas vencer mais um jogo. Sabia que poderíamos mais. E eu comecei a desejar mais, como um faminto que já olha para o segundo prato de comida sem nem mesmo ter terminado o primeiro. Eu tinha fome de vitória e sede de vingança. Mais do que nunca, desejei ser campeão e aquilo agora era questão de honra.

Foi quando o destino aprontou mais uma vez e colocou o cruzeiro na nossa reta. O maior clássico de todos os tempos! O tira-teima do futebol nacional, o jogo entre as duas melhores equipes do país, o oásis do futebol mineiro. Nunca antes o Galo e seu maior rival haviam se enfrentado numa decisão dessa envergadura. Nunca antes estiveram em estado de graça ao mesmo tempo. Nunca. Nos últimos dois anos, Atlético e CEC jogaram o fino da bola, dominaram o futebol continental e tupiniquim. Todos questionavam qual deles era melhor, coisa difícil de responder dados os parâmetros de comparação. Em 2014, os dois times ficaram frente a frente e essa pergunta foi, finalmente, respondida.

O futebol mais vibrante, apaixonante e empolgante do país foi também o mais técnico e eficiente. Dois jogos, duas vitórias. Inquestionável. Como um rolo compressor, passamos por cima do esquadrão celeste como se estivéssemos enfrentando uma Tombense da vida, em jogo treino. A superioridade foi tamanha que Victor, acostumado a operar milagres nas grandes decisões, não precisou fazer nenhum nessa final. Na moral? Foi mais fácil do que imaginei, o que só confirma o que eu, você, o cara da BHTrans e o Brasil inteiro já sabíamos: é jogo contra o Galo, elas tremem mesmo.

Que venha a Libertadores 2015, porque meu portunhol meia-tijela já está calibrado.

Hasta la vitória, siempre!

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

QUADRADINHO DE OITO

 

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“As irmãs metralha vem lançando um jeito novo…”

 

Fala, raça!

Por mais que eu cultive um ódio quase mortal pelo Flamengo, tenho por aí bons amigos que simpatizam pelo time carioca e que nada tem a ver com isso, o que me causa um peso enorme na consciência nesse momento. Zoei tanto a cara desses safados hoje que não me resta outra coisa a não ser pedir desculpas pela conduta exagerada e nada exemplar que tive ao longo do dia. Sabe como é, né… não é sempre que temos a oportunidade de ver jogadores vestidos de rubro-negro fazendo o quadradinho de oito em pleno jogo oficial, ao vivo e para todo o país.

Pudesse prever isso, em nome da moral e dos bons costumes da família tradicional brasileira, teria pedido que Levir levasse o sub-15 ao invés dos titulares, mesmo com a necessidade de manter o ritmo para o jogo de quarta-feira que vem, que é o que realmente importa pra gente. Agora cá estou eu, preocupado com o Estatuto do Idoso, a Lei Maria da Penha e com o IBAMA ao mesmo tempo. Ainda bem que o filho do Bebeto da Academia não entrou em campo, caso contrário teríamos também o Juizado de Menores na nossa cola e aí a coisa ficaria tão pesada que nem o advogado do Fluminense seria capaz de limpar a nossa barra. Demos sorte.

O lado positivo disso tudo é que se o futebol acabar no Flamengo, eles podem montar um grupo de funk hoje mesmo e começar a faturar: a coreografia tá bem ensaiada e é sucesso garantido. Eu, que não sou lá muito fã desse estilo, não me importaria de escutar por aí, no batidão, uma releitura daquela velha música, sucesso nos anos 80. Porque hoje, mais do que nunca, a gente teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo, com o Wright e tudo mais. É sério.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

HORA DE APOSTAR TODAS AS FICHAS

 

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All in: arriscar é preciso.

 

Fala, raça!

Pudera eu entrar numa máquina do tempo e ser lançado diretamente para o dia 26 de novembro de 2014, lá por volta das 21:30, horário de Brasília, para acabar de uma vez por todas com essa ansiedade que tem tomado meus dias e me tirado o sono durante a noite. Nessas horas tenho uma inveja danada de Marty McFly com seu Delorean DMC-12 e não ligaria nem um pouco em perder algumas rodadas do campeonato brasileiro para avançar no calendário, mesmo porque já apertei o botão do foda-se para as partidas que estão sendo jogadas nesse meio tempo. Seria um grande hipócrita se dissesse o contrário.

Enquanto não conheço nenhum Dr. Emmet Brown, me resta aguardar – como todos os mortais – a chegada do jogo derradeiro, aquele que pode decretar o fim do nosso jejum de 43 anos sem um caneco tupiniquim. Imagina nossa seca? Então. Até lá, a grande questão é: poupar ou não poupar os jogadores? Se metermos os caras em campo podemos perder uma peça chave por lesão ou desgaste físico. Ao mesmo tempo, precisamos manter o ritmo de jogo para chegarmos voando para a decisão no Mineirão. Levir, junto com o pessoal da fisiologia, sabe bem disso e é certo que já bolaram um esquema para os três jogos que acontecem nesse período.

Contra o Figueirense foram os reservas. Certíssimo. Contra o Flamengo, alguns titulares devem voltar – pelo simples fato de ser um Galo X Flamengo. Contra o Inter podemos ir com o sub-15 que eu não tô nem aí. Aí você me pergunta: “Vamos abandonar a luta pelo G4 de uma vez por todas?”. Eu respondo: claro que sim. Na boa, não podemos nos preocupar com G4 mais, temos que apostar todas as nossas fichas na Copa do Brasil mesmo. É matemático: pelo G4 são cinco concorrentes. Pela Copa do Brasil, apenas um e valendo título. Não sei vocês, mas eu prefiro brigar contra um do que contra cinco.

É arriscado? Claro que é, mas o risco faz parte da rotina dos vencedores.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS QUE SONHAM

 

sonho

“Les temps sont durs pour les rêveurs.”

 

Fala, raça!

Pode até não parecer, mas não foi fácil fazer o post de hoje. Não que seja difícil juntar meia dúzia de idéias em linhas, confesso, muitas vezes mal traçadas. Ao contrário, acho isso coisa simples, como a bola rolando para o fundo do gol vazio enquanto o adversário caminha calmamente de costas para o lance. Não sou daqueles que ficam remoendo palavras, pensando na melhor maneira de dizer as coisas, não sofro com isso, graças a Deus. Pra mim, a simplicidade está em escrever tão somente o que se sente, uma espécie de transcrição da alma e pronto. As vezes dá certo, outras, não.

É por isso que hoje tá complicado. É que o coração tá pedindo uma coisa e a cabeça, outra. Não tem como não ficar empolgado com a vitória de ontem, com a festa que se viu no Independência – quem diria, lotado. É até injusto pedir ao torcedor que se contenha. Para nós, que nos acostumamos a desafiar a lógica a cada partida, é quase impossível. Ao mesmo tempo, dizer que a coisa está resolvida seria negar nossa própria trajetória até aqui, meus caros. Ora, somos prova viva de que esse placar miserável não significa absolutamente nada para aqueles que acreditam. É claro, uns acreditam mais, outros menos e cada um sabe a medida da sua fé. A nossa, posso garantir, é enorme.

Dito isto, um aviso: preparem-se. Os próximos 13 dias serão de euforia, angústia, ansiedade e sofrimento, onde cada minuto parecerá uma eternidade. Até o clássico derradeiro, o mais cardíaco de todos, o atleticano terá que lidar com esses sentimentos e administrar essa bomba relógio com sabedoria. Newells, Olímpia, Lanus, Corinthians e Flamengo caíram em tentação. Não podemos cometer o mesmo pecado, para lá na frente desfrutarmos da glória dos justos, no lugar em que só os melhores podem estar.

Será um tempo difícil para nós, que há tanto sonhamos com isso. Um sonho legítimo, mas que precisa de muito pé no chão para virar realidade.

Estamos no caminho certo.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

O IMPOSSÍVEL CONTINUA NÃO EXISTINDO

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Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão. 

Para o cidadão comum “impossível” é a palavra designada para coisas inatingíveis, uma situação irreversível, um caso perdido, algo que não há salvação. É tipo o André Bebezão no futebol. Para o atleticano, “impossível” é apenas neologismo, um termo que não existe no vocabulário preto-e-branco. Aliás, até existia, mas foi trocado por outra expressão: eu acredito.

Há pouco tempo o Mineirão se emocionou e balançou com o coro que levou o Galo ao topo das Américas. E esse grito que, junto com verdadeira torcida, vai voltando aos estádios com o único intuito de apoiar o Galo, pode trazer mais um título inédito para o clube: a Copa do Brasil. Se ela virá ou não, é consequência, coisa do jogo. Por agora, só me resta agradecer.

Obrigado ao desacreditado Levir, que recuperou a alma do Galo, coisa que havíamos perdido no primeiro semestre. Obrigado ao guerreiro Tardelli, que vem nos orgulhando através de sua iminente vontade de presentear a torcida com conquistas épicas. Valeu, Luan, pelas lágrimas da vitória e a disposição de sempre! Ao nosso capitão Léo Silva, monstro e eterno ídolo da massa. Os triunfos estavam desenhados, já estava tudo escrito. A trave que tirou os gols de Carlos, contra o Corinthians, e de Tardelli, contra o Flamengo, foi a mesma que parou o chute do Gimenez. Não podemos condená-la.

Meus caros, o Galo é gigante! Não só o Mineirão é a nossa casa, mas Minas Gerais é nosso quintal, o terreiro do Galão. Aqui, somos imbatíveis. Há muito, o Gigante da Pampulha não tremia da forma como tremeu nos últimos dois espetáculos proporcionados pelo povo de alma preta e branca. Em breve será a vez do Independência, que receberá o maior clássico da sua história. Vocês tem noção disso? Algo grandioso está nos esperando, tenho certeza! Durante cem anos, Galo e torcida viveram um casamento conturbado, mas que nunca ameaçou terminar. Ultimamente, vivem uma lua de mel que também parece interminável. E isso é bom.

E me desculpem pelo erro no começo deste texto. O Galo não extinguiu, apenas redefiniu o termo “impossível”. A palavra existe sim em nosso dicionário, mas aplicada de outra forma: é simplesmente impossível não amar o Galo! É impossível não se arrepiar com essa torcida! É impossível não se emocionar com a entrega desses jogadores.

Que venha a final.

Saudações!

*Daniel é jornalista no interior mineiro. Atleticano como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

O MARVADO GALO CHICO

CHICO

Oh, meu Deus… o tal do Chico vem aí!

Era uma vez um fazendeiro que tinha um galinheiro com 180 galinhas e estava procurando um bom Galo para cobrir todas elas. Um belo dia ele foi à cidade e comprou um Galo chamado Chico. Chico era pelado, cabeçudo, sem crista, sem penas, com olheiras, corcunda, com tênis bamba de lona furado e uma camisa preta e branca com os dizeres “Morra Wright”.

Chegando na fazenda, ele soltou o Chico no galinheiro. O Galo arrancou a camisa e saiu enlouquecido, comendo as 180 galinhas. Deu uma respirada e comeu as 180 de novo. Saiu correndo e enrabou o pastor alemão duas vezes sem tirar. Aí o fazendeiro pegou ele, deu dois sopapos para acalmá-lo e trancou o bicho na gaiola.

– Porra, que fenômeno esse Galo! Pensou o fazendeiro.

As galinhas estavam enlouquecidas com o Chico. Que o Chico era isto… que o Chico era aquilo… uma loucura total. O pior é que o tal do Chico era bruto mesmo.

No dia seguinte ele soltou o bicho de novo e o Chico saiu levantando a poeira. Deu duas voltas no galinheiro faturando todo buraco com penas que encontrou pelo caminho, saiu correndo e comeu o cachorro, o porco e duas vacas. O fazendeiro correu atrás, pegou ele pelo pescoço, deu umas chacoalhadas para acalmá-lo e jogou ele na gaiola de novo.

– Que Galo sacana, vai me cobrir a fazenda inteira! Disse o fazendeiro todo satisfeito.

No dia seguinte, foi buscar o Galo e encontrou a jaula toda arrebentada. O Chico fugiu! Saiu correndo para o galinheiro e encontrou todas as galinhas fumando e assobiando, lá fora o porco com o rabo para o sol, as duas vacas deitadas no chão com a “danada” vermelha falando no Chico, o cachorro com a bunda assada e pensou: “ele vai comer o gado do vizinho, vão me matar!”.

Então ele pegou o cavalo e saiu procurando o Chico sem descanso, seguindo a pista deixada por ele (cabras suspirando, bodes passando hipoglós no fiofó, uma tartaruga que perdeu o casco no tranco, um touro provando lingerie, três capivaras mancando, um pônei sentado no gelo, uma raposa curando as hemorróidas…) até que de repente, à distância, viu Chico caído no chão. Uma cena desgarradora… e os urubus voando em círculos babando de fome. Quando viu os urubus sobrevoando, o fazendeiro entendeu a situação: o Chico já era.

– Nãooooooooo, Chicoooooooo… morreeeeeeeeuuuuuuuu o Chicoooooo!!!!!

Foi quando Chico, cuidadosamente abriu um olho, olhou para o fazendeiro, piscou e disse:

– Shhhhhhhhhhhhh!!!! Fica quieto que eles estão quase descendo, sô!

E desceram. Foi nessa quarta à noite, no Mineirão. O final da história todo mundo já sabe.

É marvado esse tal de Chico, viu.

*A história do Galo Chico é a livre adaptação de uma piada antiga, daquelas contadas lá na roça, na beira do fogão a lenha, na roda de viola ou na mesa do truco dos tentos contados no bago de milho. Lá mesmo, onde urubu não tem vez. 

ENTÃO VAMOS COM A ALMA

alma 

Quando o corpo não suporta a tamanho da alma.

Fala, raça!

Muita coisa rolou nesses últimos dias, inclusive a cabeça de três vacilões que estavam curtindo aposentadoria precoce na Cidade do Galo. Jô, que não anotava um golzinho sequer desde abril, foi o que teve mais chances. Jogou todas na lata de lixo. Caiu na putaria e levou André e Emerson Conceição junto, depois da derrota para o genérico paranaense no ultimo domingo. É… olhando por esse lado, não sei se fico com raiva ou agradeço o nosso ex-camisa 7. Jô escreveu uma história aqui e será sempre lembrado como artilheiro do nosso maior título, mas a vida é feita de escolhas e ele escolheu queimar o próprio filme antes do adeus definitivo. Paciência.

Mesmo com essa treta, a grande verdade é que eu tô pouco me lixando para Jô, André e Beição. Azar é o deles. Nem mesmo a rodada de domingo eu assisti, pra vocês terem uma idéia. Explico: meus amigos, assim que o juiz apitou o final do jogo de quarta-feira passada, no Maracanã, meu único pensamento era na partida de hoje. Como mudar a chave? Como desviar o foco dessa disputa de vida ou morte? Na moral, não tem jeito.

Não sei se pra vocês também foi assim, mas pra mim o tempo passou devagar demais, cruz credo. Depois de uma eternidade, finalmente chegou o dia. É tudo ou nada, meu povo. O Mineirão estará lotado e a banda mais louca da cidade vai querer a vitória, custe o que custar. Os ingressos estão esgotados e a festa promete ser daquelas. Vi um post, acho que no facebook, que dizia assim: “Hoje vamos na técnica. Se eles vierem na técnica, vamos na raça. Se vierem na raça, vamos com a alma.” É assim que tem que ser. Porque a técnica e a raça podem até se igualar em algum momento, mas não existe nada que se compare à alma atleticana. Só ela é capaz de fazer o concreto balançar e o adversário tremer. A alma atleticana é capaz de fazer o cego enxergar, o surdo escutar, o cético acreditar com todas as forças. Só a alma atleticana é capaz de fazer a multidão gritar mais alto, mesmo quando tudo parecer perdido.

A alma atleticana sou eu, é você, é o cara do lado que você nem sabe o nome – e nem precisa saber. A alma atleticana é o grito que sai da arquibancada, é o arrepio inexplicável, a lágrima de emoção. A alma atleticana somos todos nós, pulsando juntos. É dela que precisaremos hoje. É ela que nos fará sair vitoriosos do campo de batalha.

Se prepare, Flamengo. Não lhe quero mal, longe disso. É que temos umas contas aí para acertar.

#VaiPraCimaDelesGalo

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com