NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA

copacabana

“Lá estava ela, tremulando soberana, nas areias de Copacabana.” Cariogalo.

Fala, raça!

Confesso que dei uma desanimada com internet nesses últimos dias, absurdado com a transformação da grande rede num imenso esgoto humano, carregado de preconceito, intolerância e uma xenofobia inexplicável, quase um nazismo disfarçado. Eu, que possuo raízes nordestinas, fui tomado por uma tristeza profunda, que por muito pouco não se transformou em revolta. O vídeo de Bráulio Bessa me ajudou a sair dessa. Me emocionei. Aí lembrei da Galo da Peste, da Pernambugalo e tantos outros irmãos alvinegros que lá estão. Lembrei de um povo feliz, de um povo batalhador, corajoso, inteligente e criativo, que transborda cultura e amizade sincera. E aí tive pena. Não deles, mas dos tolos que não conhecem o que é a alma nordestina e a importância que essa gente tem para o resto do Brasil. É como diz o poeta: triste o povo que não sabe de onde vem. Essa é a mais pura verdade, traduzida em meia dúzia de palavras.

Noves fora, vida que segue.

Tem muito marmanjo por aí tentando explicar o sucesso do Galo nas três últimas temporadas, querendo descobrir a todo custo a fórmula mágica da vitória que foi secretamente desenvolvida em Lourdes e que só duas pessoas nesse mundo sabem a receita: a dona Terezinha – a tia que entra com as crianças antes dos jogos do Atlético e o Belmiro, que, tenho certeza, não falariam nem sob tortura. Nem mesmo se ameaçassem cometer o maior sacrilégio de todos, que é queimar a bandeira do Galo, eles abririam o bico. Então, meus caros… desistam.

O fato é que essa receita milagrosa tem feito o Galo vir numa pegada muito forte desde 2012, resultando nas conquistas da Libertadores em 2013 e da Recopa, em 2014. Mas ainda falta um detalhe, a tal cereja do bolo: falta levantar um título nacional para exorcizarmos – de uma vez por todas – a urucubaca que nos persegue desde 1971. Questão de justiça, tão somente.

Uma Copa do Brasil, mesmo não sendo lá grandes coisas, já resolveria essa questão. Em nosso caminho, adivinha só… o Flamengo de Luxemburgo. Pô, isso só pode ser um presente do destino! É a oportunidade perfeita para cobrarmos duas dívidas de uma só vez, com juros e correção. Se liga Flamengo, chegou a sua hora. Primeiro jogo no Rio, a volta no Mineirão. Assim como nas décadas de 70 e 80, a massa promete tomar a praia dos caras, azarar as garotas de biquini – somente as que estiverem com a depilação em dia – e fazer a festa no Maracanã. Vai ser lindo ver a bandeira alvinegra balançando ao vento carioca, mais uma vez.

Nem precisa ser outro Maracanazzo, não faço questão de tanto. Desejo apenas que a peleja seja justa, que o embate seja honesto. Acho que não é pedir muito.

Vamos campeonar, meus amigos. Precisamos apenas vencer mais algumas batalhas.

Aqui é Galo.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

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