ENFIM, O GALO DE LEVIR.

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Burro com sorte é o caralho.

Por Lindson Brum*, especialmente para o Terreirão.

Meus amigos, aquele Galo do início do ano não existe mais. Aquele time que estava em cacos, sem padrão de jogo e que fazia o atleticano ficar ressabiado, faz parte do passado. Hoje, o Atlético tem a cara de Levir. O técnico fez milagre e com praticamente o mesmo elenco mudou totalmente a realidade alvinegra. Em resumo, tirou leite de pedra. Nosso time tomou forma e agora joga um futebol moderno e competitivo. Tem motivação, alma e confiança.

O desenho do time começa com um santo ali atrás e termina com um iluminado lá na frente. No Galo de Levir, o meia-atacante Luan joga de volante e o papel do centroavante é compartilhado por 3 jogadores. Donizete – um cara bruto, rústico e sistemático – se limita a destruir as jogadas adversárias e Marcos Rocha sabe a hora certa de atacar e defender. Mais que qualidades individuais, isso é inteligência e obediência tática de um time. Isso é treinamento. Isso é o Galo de Levir.

A formatação atual permite que o Galo ataque pelos lados ou pelo centro, acabando com a previsibilidade e não dando tempo da defesa adversária respirar. Os quatro homens de frente jogam próximos e tem o apoio de Luan, Rocha e Douglas Santos, que chegam com muita freqüência lá na frente.

Os estudiosos ainda não conseguiram definir a formação tática e teórica do Galo. Se alguém te perguntar, pode escolher o 4-3-3, o 4-1-4-1 ou o 4-2-3-1 e correr pro abraço. Durante o jogo, todas elas acontecem. É possível comprovar até o 4-2-4, se quiser. É que o Galo de Levir varia o tempo todo.

Dátolo voltou a ser aquele meia dos tempos de Boc­­­a Juniors, quase um 3º volante que marca, arma e ataca. Guilherme encarnou o oportunismo do velho companheiro de Marques e agora joga mais próximo do gol, mesmo não sendo “a referência” do time. No Galo de Levir, a referência é quem estiver mais à frente naquele momento. Nesse esquema, Tardelli tem papel fundamental: se movimenta o tempo todo, joga de meia, de atacante, centro avante, volta pra marcar… além da contribuição técnica, tem ajudado a motivar o time e a torcida. No jogo de quarta, mereceu mais uma pedrinha no seu já estrelado galardão de idolatria junto à Massa.

No Galo de Levir não há espaços para corpo mole. A formação com André ou Jô acaba matando o rápido ataque atleticano. A função previamente determinada inviabiliza a troca constante da referência. Com isso, o mais prejudicado é Carlos, que se limita a ser um “Bernard com pouca alegria nas pernas”.

Se esse time vai chegar lá na frente e levantar a taça, não dá pra saber, mas arrisco a dizer que algo de fundamental importância foi novamente ativada: a confiança do time e da torcida. Se você, assim como eu, deve um pedido de desculpas a Levir, fique tranqüilo: tem mais um monte de gente aí devendo.

Fique sempre entre nós, meu bom velhinho. Quem sabe ano que vem não vamos todos pro Japão?

*Lindson Brum é ex-blogueiro da ESPN e co-autor do Livro América: Terreirão do Galo. Siga no twitter:@lindsonbrum

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