SOBRE A MORTE DO ESPETÁCULO

festa

A festa ainda existe, mas é longe daqui.

Fala, raça!

Estamos prestes a ver o maior clássico de todos os tempos, um jogo épico que provavelmente dividirá a história do futebol mineiro. Nós, que fomos renegados durante décadas, reivindicamos agora o título de melhor futebol do país da forma mais honesta possível: na bola.

O engraçado é que, mesmo em nosso melhor momento, conseguimos tirar dos holofotes o que mais interessa. Não se ouve falar dos craques no noticiário. Não se comenta sobre os treinadores e suas táticas mirabolantes. Sobre as qualidades de cada time? Nada disso, não tem espaço para esse tipo de conversa. Infelizmente a briguinha infantil entre os clubes – recheada de acusações e troca de insultos – e seus presidentes é mais importante que tudo isso e tanto faz quais cores você defenda, se deixar o clubismo de lado por um segundo, vai ver que os dois estão errados. Um tomado pelo orgulho e o outro cego pelo dinheiro.

Por mais plausíveis que possam parecer os argumentos de cada um, a grande verdade é essa: Kalil rejeita o Mineirão como um menino mimado, faz pirraça e sequer pisa lá. Gilvan, uma versão bocó do Tio Patinhas, só tem olhos para os cifrões que saem das carteiras de seus sócios torcedores e que se dane o resto. Assim, os dois presidentes vão exterminando o maior espetáculo que a gente já viu, que é o clássico com as duas torcidas juntas no Mineirão abarrotado. Triste.

Sabe, eu já estive em jogos com 90, 100 mil pessoas na arquibancada, coisa que as novas arenas padrão FIFA extinguiram para sempre. Tenho uma pena profunda das novas gerações, que nunca saberão o que é isso. Tenho saudades do clássico dividido, coisa que meus filhos e netos provavelmente só ouvirão falar. Nem o tropeirão, patrimônio cultural da sociedade futebolística mineira, foi respeitado. Tudo isso culpa da ganância, incompetência e má vontade dos que estão aí.

O torcedor, parte fundamental desse espetáculo e única razão dele existir, é deixado de lado. Fora do estádio, é tratado como um animal. Dentro dele, como um idiota. Não pode ficar em pé. Não pode levar bandeira. Não pode levar tambor. Não pode radinho. Não pode sinalizador. Não pode papel picado. Tudo isso em nome de um padrão que não é nosso, um padrão internacional que nos foi enfiado goela abaixo. Não consigo entender como é que aceitamos essa situação.

Estamos a poucas horas do maior Atlético X Cruzeiro que essas terras já viram e, independente de quem vença, a única certeza é que o futebol – não só o mineiro – já saiu perdendo.

#GaloSempre

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