DEIXEM-ME VOLTAR

torcida

*Por Daniel Resende, especialmente para o Terreirão.

Antes do velho Mineirão vir abaixo, eu sabia que, quando fosse o momento do nosso reencontro, não seríamos mais os mesmos. Nem eu, nem o gigante de concreto. Os três anos que nos separaram foram como décadas, anos luz talvez. O tempo e a distância fizeram com que eu perdesse parte da minha força, mas minha mística permaneceu intacta.

O brilho do ouro, que cega os corações ambiciosos, frustrou meu retorno evidente e provável. Tínhamos um Deus em campo e eu só podia vê-lo pela TV. Levantamos troféus que só pude ver à distancia. Não merecia tratamento tão cruel.

Agora, tudo o que peço é que me deixem voltar. Com meu chinelo de dedo e camisa rasgada, a condução contada. Quero gritar durante noventa minutos, como se minha vida dependesse disso. Sentir a arquibancada tremer com meu peso colossal.

Nos últimos anos, fui a personificação contrária do projeto de JK: ao invés de evoluir 50 anos em cinco, eu envelheci 50. Minha voz não é mais a mesma, mas a alma é. No fundo ainda sou aquela que fazia o mais fanático rival parar diante da televisão e me aplaudir. Que fazia o jogador alvinegro correr dobrado pelo simples fato de eu estar ali.

Preciso voltar, pelo abraço anônimo após o gol, pelas camisas girando no ar – independente da temperatura – e pela verdadeira festa na arquibancada. Antes que seja tarde, eu imploro: me aceitem novamente.

Aí seremos felizes para sempre.

*Daniel é jornalista no interior mineiro. Atleticano como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no Twitter: @danielmresende

 

**Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

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