A INABALÁVEL FÉ DO ATLETICANO

 

inabalavel

São Victor do Horto, rogai por nós.

Fala, cambada!

A coisa não foi como esperávamos e o Galo caiu diante do Corinthians, numa das piores partidas que vi o Atlético jogar nessa temporada. O nervosismo era evidente e refletiu diretamente na parte tática e técnica do time, que não acertava passe de cinco metros, algumas vezes beirando o amadorismo. Na boa, quando a coisa tá complicada é melhor nego fazer o feijão com arroz do que tentar jogada de efeito. Não sei se era confiança demais, mas vi gente dando chapéu, toque de letra e o escambau, sendo que na sequência deixava a bola sair pra fora ou era facilmente desarmado pelo adversário. Não, Galo… não é assim que se faz.

O jogo de ontem foi tão atípico que até Victor vacilou. Quer dizer… a bola perdeu a grande chance de ser defendida pelo Santo, já que Victor – o milagreiro da camisa 1 – não falha. Nunca. Se alguém ousar dizer o contrário, corre sério risco de ser excomungado da Igreja Universal do Reino do Galo, como diz meu xará Melo Paiva. Eu, gozando plenamente de minhas faculdades mentais, concordo.

Ainda há de ser explicado como é que um jogador peruano consegue fazer sucesso no Brasil. Guerrero é aquele típico caso fora da curva, um cara que saiu do insignificante futebol do Peru para fazer gol em cima de Marcos Rocha, inquestionavelmente o melhor lateral direito do país. Não tem lógica isso. Zoeira a parte, o centro avante corinthiano teve de sobra o que faltou aos atacantes atleticanos naquele Itaquerão lotado: sorte. Todo bom jogador precisa dela, obviamente.

A derrota de ontem coloca o Galo em desvantagem para o jogo de volta. O placar desfavorável em dois tentos nos traz lembranças de um tempo não muito distante, quando nos especializamos em destruir a confiança adversária. 2X0. Foi assim contra o Newells, foi assim contra o Olimpia. Mesmo com todas as questões que envolvem o jogo decisivo – os desfalques por lesão, a ausência do craque, a distância do Horto – não existem motivos para baixarmos a guarda. No Mineirão lotado nossas forças se multiplicam por mil, por sessenta mil. Mais uma vez a fé do atleticano, inabalável, será colocada a prova. E é bom que seja assim. O coração batendo forte, a veia saltando do pescoço, o frio na barriga… tudo isso é sinal de que estamos vivos. E quando o grito de “eu acredito” ecoar nas paredes do gigante de concreto, eu acho difícil o Corinthians aguentar.

Firma a base aí que a guerra ainda não acabou.

Aqui é Galo, porra.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

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