PERDÃO, A CULPA FOI MINHA.

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Quando Robinho partiu pra bola, eu achei que a maldição havia terminado.

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Durante anos escrevi para quem quisesse ler sobre o orgulho de ser alvinegro e que o Galo nos bastava, convicto de que essa era uma das leis fundamentais do universo. Não importava a fase, não importavam os pangarés que vestiam nossa camisa, não importava se era Libertadores ou torneio de porrinha. A gente era Galo Doido e pronto. E éramos felizes pra caramba assim, pagando ingresso de “2 Real”, comendo tropeiro de verdade e gritando que Danilinho era Seleção.

Quando Victor defendeu aquele pênalti com o pé esquerdo, isolando toda zica grudada em cada atleticano para a pêquêpê, a coisa começou a mudar. Eu não vi, porque estava de costas para o lance, tipo o Fábio no gol do Vanderlei. Vi depois pela TV e até hoje, quando vejo, dá um frio na barriga. Parece que Riascos vai converter aquele maldito penal e me despertar de um sonho bom numa manhã de segunda-feira, quando já é hora de sair para o trabalho. Ainda bem que o Victor sempre defende de canhota. Acontece que não vi nenhum pênalti daquela Libertadores. É uma superstição e não poderia quebrar a corrente. Imagina se a bola entra por minha culpa? Nem a pau. Valei-me, São Victor!

Pois é. Não vi os pênaltis, mas vi quando Guilherme deu aquele chute de fora da área, contra o Newell’s. Também vi quando Ferreyra levou uma rasteira do destino e depois, quando Leonardo Silva testou aquela bola aos 42 da etapa final. Os pênaltis não vi e vocês já sabem o motivo, mas me lembro do barulho da bola batendo na trave, na cobrança derradeira. Foi ali que o Galo deu uma guinada na própria história: deixou de ser o time do quase e se transformou no time dos milagres, das viradas improváveis, no time do “eu acredito”. Levantamos a mais emocionante Libertadores de todos os tempos e nossa gente sofrida finalmente encontrou a terra prometida, depois de 40 anos vagando pelo deserto.

No ano seguinte, eu fui testemunha de algo espetacular: eu vi nossa torcida ganhando um campeonato. Quem ainda ousa dizer que torcida não ganha jogo, precisa urgentemente assistir aos jogos do Galo daquele ano. Fomos nós, sim, que vencemos aquelas partidas. O time era bom, claro, mas os dois – torcida e time – eram um só, com uma viseira que nos permitia enxergar apenas a vitória. Quem viveu aquilo de perto sabe: a energia que vinha da arquibancada era coisa de doido. Não tinha jogo perdido, não tinha placar irreversível. Corinthians e Flamengo que o digam. Nosso maior ex-rival também sofreu na nossa mão e na bendita Quarta do Goulart levantamos mais um troféu. O choro foi livre.

Agora, em 2016, chegamos às fases decisivas da Libertadores e do Super Rural. O Galo precisa apenas de duas vitórias simples para levantar o caneco regional e passar para as quartas de final do torneio continental. Tarefas simples e tranquilas, fossem outros tempos. Eu, insone atleticano, estou acordado aqui às 3 da manhã – a tal da hora do capeta – angustiado, precisando mandar a real para vocês, irmãos alvinegros (juro não estar possuído por nenhuma entidade maligna): se não houver uma mudança de postura imediata da nossa torcida, estamos ferrados. Se não apoiarmos 100% esse time, de nada valerá o gol de Lucas Pratto aos 48 do segundo tempo contra o América. Se não estivermos juntos com os caras, terá sido em vão toda luta em Avellaneda. E aí, meu amigo, seremos novamente o time do quase. É isso que você quer? Não, né.

A boa notícia é que ainda há tempo de reverter o quadro de crüzeirização bizarra da Massa. Então, acorda, pô! Ninguém desaprende a torcer! Nesta quarta-feira, vamos fazer a maior Rua de Fogo que já existiu e espero que você esteja lá, erguendo seu sinalizador, mostrando para o Brasil e o mundo que a Massa é foda. Que o Independência seja transformado num caldeirão sinistro, capaz de fazer tremer o adversário, como nos bons tempos do Cemitério do Horto. Que eles borrem as calças e tenham vontade de sair correndo, pegar o primeiro voo atrás do colo da mamãe, lá na Argentina.

Que no domingo a dose se repita no Gigante da Pampulha. Que a diretoria ajude também, colocando ingressos a preços populares, para que possamos abarrotar o Mineirão e gritar insanamente, como se fossem os últimos 105 minutos das nossas vidas. Vamos fazer o que fazemos de melhor, que é levar o Galo à vitória. Da minha parte, prometo nunca mais cair em tentação e não ver mais nenhuma cobrança de penal… perdão, Robinho, no último domingo a culpa foi minha.

*Post originalmente publicado no Estado de Minas em 03/05/2016

SOBRE IDAS E VINDAS: O FIM DO TERREIRÃO

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É que nada dura pra sempre. Menos o Galo. 

Meus amigos e irmãos de arquibancada,

Esse Galo danado nos deixou mal acostumados demais, hein? Três derrotas e já tem nego querendo incendiar a sede de Lourdes, como se a série B estivesse fungando novamente no nosso cangote. É muito desespero para quem há menos de um trimestre estava comemorando a quarta-feira do Goulart.

Enfim, esse post é por outro motivo.

É sobre uma decisão que eu já tinha tomado há algum tempo e estava protelando, mais por apego do que por outra coisa. Sabe aquela história de largar o osso? Pois é.

O nascimento da Carolzinha essa semana me fez colocar algumas idéias no lugar, organizar minha vida em escala de prioridade. Vi que, por mais que eu tente – tal qual uma mula teimosa – ficou difícil manter o Terreirão com a dedicação que ele merece. O fato é que não me sinto confortável em deixá-lo de lado e isso tem acontecido com frequência, já que o tempinho que eu tinha para administrar aquela parada toda agora é – e será cada vez mais – dedicado à minha pequena atleticana.

É por isso que tomei a decisão de dar lugar à outro torcedor maluco, que vai tratar aquele canhão da forma como ele merece. Se o cara tiver metade da moral que vocês sempre me deram, tenho certeza, já será feliz pra caramba.

Valeu por estarem comigo lá nesses 4 anos. Cada comentário foi precioso e eu sentirei falta disso. E sim, eu li todos eles. Fomos do inferno à glória juntos, vimos Ronaldinho jogar no nosso time, transformamos um goleiro em santo, levantamos grandes títulos. Eu tenho um orgulho danado de ter participado, mesmo que miseravelmente, dessa história.

É claro que isso não se fez sozinho. Aliás, nem toda grana do mundo pagaria a dedicação dos caras que estiveram ao meu lado nessa, principalmente nos perrengues. Porque é aquele negócio: escrever blog na boa é fácil demais. Complicado é buscar palavras bacanas quando a coisa fica feia, naquele momento em que você precisa motivar essa massa gigantesca, até quando você mesmo duvida um pouco. Meu mestre Munaier, a galera do Terreirão Cast, o Zeca, o Ragazzi, o Daniel, a Karine, o Lindson e tantos outros que doaram seu tempo à este projeto. Valeu demais, galera. De verdade.

É provável que eu não faça nenhum post de despedida lá no globoesporte. Melhor assim, porque eu sou péssimo em despedidas.

A gente se vê no estádio, qualquer dia desses.

Abração!

‪#‎GaloSempre‬

GALO NA VEIA: CAMINHO SEM VOLTA

gnv

O Galo tem uma mina de ouro nas mãos: a sua própria torcida.

Fala, raça! Senta aí que hoje o post é longo, mas é por uma justa causa.

A boa notícia de que o Galo alcançou, em fevereiro, a marca de 40 mil sócios no Galo na Veia me deixou satisfeito e é prova de que o torcedor está, aos poucos, se conscientizando do que realmente é a parada. Coincidência ou não, esse salto aconteceu justamente no momento em que o Atlético liberou alguns benefícios, como compra de ingressos pela internet e desconto para sócios, coisa tão básica que o programa chegava a ser ridicularizado pela própria torcida por não oferecê-los. Com razão, diga-se de passagem.

Acontece que isso me fez pensar no por quê do Galo na Veia ainda não ter decolado, sendo fato comprovado o fanatismo ensandecido da nossa torcida. O principal motivo apontado pelos especialistas de boteco é a capacidade do Horto, atualmente insuficiente para atender sequer o numero de sócios que o Galo já possui. Caso todos os sócios resolvam ir no mesmo jogo do Atlético, os pouco mais de 20 mil lugares do Independência seriam disputados no tapa.

O preço, que já foi um dos grandes entraves para adesão geral, hoje é um problema superado. Antes só existia a opção do GNV Black, por 300 pilas mensais. Eu já fui dessa categoria, mas não aguentei o último reajuste e tive que dar adeus ao cartão pretinho que me dava direito de ir à todos os jogos com mando do Galo sem ter que me preocupar com absolutamente nada. Aí fui para o GNV Prata, que é relativamente barato (R$ 35,00 por mês) e me possibilita a compra antecipada de ingressos pela internet, desconto nas lojas do Galo e descontos consideráveis na aquisição dos ingressos, ultimamente. O preço do GNV Prata é tão irrisório que consigo recuperar essa grana investida no Galo numa ida ao supermercado (aproveitando os descontos do Futebol Melhor) ou comprando ingresso. Para você ter idéia, o desconto que tive na compra do ingresso da final da Copa do Brasil, no ano passado, paga praticamente um ano inteiro de GNV Prata. Ou seja, se você vai ao campo pelo menos uma vez por mês, só sendo muito burro para não aderir ao sócio.

Outra bola levantada, dessa vez pela galera das redes sociais, é o total abandono que o torcedor que mora no interior e fora do estado experimentou nos últimos anos. A eles, não foi dispensada a minima atenção, chegando ao cúmulo de ouvirmos, em rede nacional, que torcida do interior não tinha importância. Claro que Kalil tem seus méritos e para mim – e para 99% da torcida – é o maior presidente que o Galo já teve, mas vacilava muito nesse aspecto. Ok, o que fazer então, para alcançar o cara que mora lá nos cafundó do Judas e que quase não assiste jogos in-loco?

Eu, particularmente, acho bastante justo o preço do GNV Prata e considerava ideal até mesmo para quem mora fora de BH. Aí caí na besteira de perguntar no meu twitter porque a galera ainda não aderiu à essa maravilha e tive respostas que me fizeram olhar além do meu umbigo. Junto, o pessoal me mandou algumas sugestões bacanas que fariam o Galo na Veia ser mais interessante para quem é do interior. Se o Galo, a Adriana White ou o Nepomuceno vão ver isso, só Deus sabe. Pelo sim, pelo não, ficam aqui registradas as idéias da galera.

O principal apelo do GNV Prata hoje é a possibilidade de compra de ingresso pela internet, descontos na Loja do Galo e pontuação no programa, que dá acesso, por exemplo, à visita ao CT do Galo. Acontece que para quem mora no interior isso e nada é a mesma coisa, uma vez que o cara não compra ingresso, não tem acesso à Loja do Galo (lembrando que hoje os descontos são apenas nas lojas físicas) e não consegue de jeito nenhum visitar a Cidade do Galo, porque as promoções são do tipo “relâmpago” e a gente sabe muito bem que quem vem de longe precisa se programar com o mínimo de antecedência. Não vou falar da rede conveniada porque ela não serve nem para quem mora em BH e nem das trocas por pontos porque é até engraçado ter que juntar 50 mil pontinhos para trocar por um copo de plástico. Esquece isso. Resumindo: quem mora no interior e tem o GNV hoje, faz isso tão somente por amor e isso é legal pra caramba. Acontece que quem vive de amor é motel, então os caras querem ter alguma coisa em troca para aderirem avassaladoramente ao programa e fazer o Galo ter, num piscar de olhos, seus tão sonhados 100 mil sócios.

A idéia seria o Galo criar um plano de sócio baratinho, entre R$ 10 e R$ 20, que dê direito a compra on-line sem desconto algum, quando o cara resolver vir assistir o jogo uma vez na vida e outra na morte. Além disso, liberar o desconto na compra de material oficial na Loja do Galo on-line e tentar uma negociação junto às operadoras de pay-per-view, para descontos na aquisição de pacotes para os jogos do Galo. Essa última até eu ia querer, rs… A possibilidade de agendar visitas ao CT quando vierem a BH também é uma boa idéia, mas envolve uma logística que ainda precisa ser pensada.

São medidas simples que alavancariam a adesão, certamente. O que precisamos levar em conta é o custo operacional disso tudo, uma vez que a idéia do sócio torcedor é ajudar o clube, e não o contrário. Temos que ter a consciência de que um programa que oferece mais benefícios que o valor cobrado passa a ser prejudicial para o clube, e automaticamente, impossível de ser operado. Esse é o X da questão.

Muita gente falou em liberar o pagamento da mensalidade via boleto, mas temos que concordar que o pagamento via cartão de crédito é a única maneira de minimizar a inadimplência. Agora, a forma de pagamento no momento da aquisição dos ingressos on-line realmente precisa ser revista: as poucas opções de bandeira de cartão de crédito (que eu me lembre, somente VISA está sendo aceito) e a impossibilidade de pagamento via débito em conta dificultam e muito a vida do torcedor. Eu mesmo tenho que ficar correndo atrás de cartão dos outros emprestado toda vez que quero comprar ingresso e isso é um saco, já que minha bandeira é Mastercard e ainda não é aceita pelo sistema. Ajuda aí, Galo.

O fato é que seja por amor ou por retorno concreto, o GNV é um caminho sem volta. Exemplo disso é a venda on-line para o jogo da próxima quarta-feira (calma, Goulart… engole o choro). Em poucas horas de comercialização, alguns portões já foram esgotados. Assim, num futuro bem próximo, se o cara não for sócio do clube, ficará difícil assistir um jogo do Galo na arquibancada… e a gente sabe que o atleticano só é feliz completamente quando está dentro do estádio.

Então, faça o seguinte: invista na sua felicidade, meu velho. Seja sócio Galo na Veia, ajude o Galo de verdade e bora rumo aos 50 mil sócios.

A gente se vê por aí.

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

VAI ENTENDER ESSA RAÇA

raça

Por Rodrigo Raynner*, especialmente para o Terreirão.

Irmãos alvinegros,

Trocando idéia com os amigos desde o primeiro gol do Colo-Colo até agora, por pouco não chutei o balde e desisti de amansar os ex-se-não-é-sofrido-não-é-Galo e os ex-eu-acredito, que logo na estréia foram dizimados pela falha do São Victor e imediatamente ressuscitados por uma espécie de Gyodai do futebol que os transformou em monstros corneteiros altamente destrutivos.

Como eu não sou nenhum Change-Robô ou o Gigante Daileon para lutar contra esses caras, deixo o destino sob a incumbência de mostrar, mais uma vez, que o Galo merece nossa confiança. A não ser que você seja do tipo que acha que uma derrota no início de temporada representa o fim do mundo, transformando automaticamente o time campeão de 2014 num bando de peladeiros comandados por um burro sem sorte, quero convidá-lo a pensar comigo.

É preciso, antes de tudo, tomar uma água com açúcar, dar uma respirada daquelas bem profundas e, voltando à racionalidade, entender as raízes de todas as nossas aflições, coisa normal pra quem torce para o Galo ou para qualquer time de futebol.

Primeiro, o tal planejamento. Trata-se de uma ilusória preparação para o que poderá acontecer durante todo o ano. Só tem uma coisa que atrapalha o planejamento de qualquer clube: o fato de os adversários não participarem das reuniões e nem assinarem a ata onde foram estabelecidas as metas. Pelo contrário, eles querem é atrapalhar mesmo. Qualquer planejamento se limita a saber a quantidade de jogos da temporada, quantas viagens, a logística e a quantidade de atletas necessários para as competições no ano, de acordo com a projeção de desempenho em cada uma delas. Importante lembrar que quando se trata de mata-mata, o planejamento vai pro ralo quando o juiz apita o início da partida.

Depois, o acaso. O acaso é mais um inimigo do planejamento. Pode acontecer antes, durante ou depois do jogo. Pode chegar num acidente doméstico ou numa trombada mal calculada num treino coletivo. Um exemplo claro de acaso foi a contusão do Emerson no primeiro jogo oficial de 2014 e duas semanas depois, Rever precisar fazer uma cirurgia no tornozelo. Me explica, velho! Como é que planeja isso? Você dispensa dois zagueiros reservas e contrata outros dois mais novos e com salários mais baixos pra recompor o grupo. Certinho. Aí logo no primeiro mês da temporada o time perde dois zagueiros por contusão e a galera reclama de falta de planejamento? Tá entendendo?

Bilionários chineses também fazem parte do acaso e podem ser enviados pelo capeta pra tirar, de um dia para o outro, nossos melhores jogadores. Aí não tem planejamento que agüente mesmo.

Na sequência, o futebol. Jogo fantástico, apaixonante, empolgante e imprevisível. Possibilita que o pobre vença o rico, o fraco vença o forte, o pior vença o melhor. Talvez por isso seja tão louco, mas quando o resultado foge à lógica que está na prancheta do Papai Joel, nêgo fica louco e quer o time todo na rua. Ora! Você é viciado em futebol porque é “uma caixinha de surpresas”, meu caro. Agora, quando seu time – que é o melhor do universo – perde, você acha o fim do mundo? Quer ganhar sempre? Marca jogo com o crüzeiro, fera!

Finalmente, o Galo. Está acima de planejamento, acaso e até do futebol. Atleticanos não estão nem aí pra futebol! Atleticano gosta do Galo e pronto! Torcer pro Galo te livra da necessidade de qualquer noção técnica, tática ou física. Torcer pro Galo não combina com paciência, moderação ou controle emocional. Atleticano apóia o time quando cai pra série B, mas vê como tragédia perder numa estréia de Libertadores, jogando com 4 desfalques, fora de casa, para um time tradicional na América do Sul, o mais forte do Chile.

Obviamente, ser atleticano isenta o sujeito de qualquer comportamento coerente e isso torna inútil toda a minha explicação anterior. Quem tá puto continuará puto até que o Galo vença novamente. Aí, de puto o cara volta à categoria dos “se-não-é-sofrido-não-é-Galo”, cria um grupo  “eu-acredito-até-o-fim” no whatsapp e enche o meu celular de montagens fantásticas do Galo, fazendo menção a milagres, dificuldades e superação.

Vai entender essa raça, hein.

NOSSO NOVO VELHO SONHO

liberta

Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão.

O barulho da bola chutada por Gimenez explodindo na trave da meta defendida pelo Santo fará parte das nossas melhores lembranças por toda a eternidade. O dia 25 de julho de 2013 estará nas memórias de todo aquele que gosta de futebol, principalmente, dos loucamente apaixonados pelo Galo. Renascíamos ali.

Foi sofrido. Foi inacreditável. Foi épico.

Agora desejamos que tudo se repita. Talvez um pouco menos sofrido, um pouco menos dramático. Contudo, se esse for o preço da glória, estamos dispostos a pagar. Se tiver que ser assim, que seja… já estamos acostumados e o coração alvinegro aguenta. Para o mais supersticioso, o Galo campeão daquele ano também estreou na Libertadores numa quarta-feira de cinzas. A falta d’água ainda não havia atingido a cidade de São Paulo, mas atingiu o time do São Paulo. Ronaldinho tomando água das mãos de Rogério Ceni, como esquecer?

Nosso adversário, que se cuide. Durante a Copa do Mundo, o Chile se instalou na toca da raposa, CT do crüzeiro, e incorporou o espírito: mal viu o Galo e já tremeu. Se o Colo-Colo vai tremer, é outra história.

Só sei que se faltar técnica, vamos na raça, como sempre fizemos. A força do ‘Eu Acredito’ já foi provada. Depois da saga da Copa do Brasil, quem ousaria duvidar desse Galo?

A Cordilheira não amedronta quem já conquistou a América. E que a história alvinegra continue sendo escrita, linda, heróica, sofrida. A torcida mais fanática do país quer novamente soltar o grito de campeão.

Vamos, Galo.

*Daniel Resende é jornalista no interior mineiro. Assim como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

FICA, VAI TER RAIO.

raio

*Por Rodrigo Raynner, especialmente para o Terreirão.

Esses dias eu estava assistindo à uma entrevista de São Victor onde ele descrevia de forma sensacional, do ponto de vista de quem fica ali debaixo das traves, o lance mais fantástico que eu já vi no futebol mundial. Após me emocionar pela milionésima vez relembrando aquela noite em que Riascos partiu para a bola, eu fiquei pensando em como, nos últimos anos, nossa vida de Galo tem sido dura e fantástica ao mesmo tempo. Como diria o grande Mário Henrique: “porquêêêê que tem que ser tão sofriiiiiiido assim, meu Deus?”

Voltando um pouco no tempo – para não sofrermos demais – começo com o inesquecível Atlético 3×2 Fluminense, pelo segundo turno do Brasileirão 2012. Naquele jogo começamos a mudar uma das terríveis tradições do Galo: a de jogar muito e deixar a vitória escapar, geralmente com uma desculpa esfarrapada que parecia consoladora, mas não resolvia nada. Naquele dia poderíamos ter saído do Independência orgulhosos com o time, como em várias vezes, porém decepcionados com o resultado no placar. O cruzamento de Ronaldinho para a cabeçada de Leonardo Silva, aos 47 minutos daquela partida, decretou o fim disso tudo. Uma virada espetacular, no finalzinho do jogo. Esse repertório soa familiar?

No ano seguinte, o raio foi lá e caiu mais uma vez no mesmo lugar. O raio! O Big Bang do Galo! Aquilo foi mais indescritível do que qualquer lance que eu já vi na vida! Sem muito esforço, a canhota do Victor extinguiria os dinossauros novamente. Alguém me explica como o DeLorean não apareceu, de repente, dentro daquela pequena área?

Aí vieram os hermanos e… KABRUUUUUM! O raio caiu de novo. Pensa no lance do segundo gol, cara! A bola estava praticamente nas mãos do arqueiro argentino! O volante tirou a bola do goleiro, deu uma espanada para fora da área e ela caiu lindamente nos pés, quem diria, de Guilherme. E se ele deixa pro goleiro? E se ele acerta na veia e manda aquela bola no meio de campo? E se Guilherme não acerta aquele chute? E se… não véio! Para! Tinha que ser! Aquele lance foi uma tempestade de raios dentro da grande área do Newells!

Talvez, assim como eu, você também tenha pensado: “Pronto! Gastamos toda a sorte que não tivemos em 105 anos de história!” Aí tivemos aquela furada do zagueiro dentro da área, deixando a bola para Jô marcar o primeiro gol naquele 24 de julho. Tivemos aquele carrinho que o Elias Kalil deu no Tanque Ferreira de frente para o gol vazio, aquela cabeceada toda desequilibrada de Leonardo Silva mandando a bola para o fundo das redes… foi raio demais naquela final contra o Olímpia. Foi tanto raio que nem a CEMIG sabia o que fazer.

E o Galo foi Campeão da Libertadores.

Aí veio 2014 e antes que o segundo semestre começasse, já tinha atleticano jogando a temporada no lixo. Libertadores tinha ido pro saco, o Brasileirão estava nas mãos do nosso rival… só nos restava a Recopa e a Copa do Brasil. No tira-teima sulamericano, a sorte nos sorriu mais uma vez. Depois de um jogo duríssimo contra o Lanus, dois gols-contra definiram o resultado da partida, na prorrogação. Sofremos 90 minutos para isso. Levantamos mais uma taça.  Tinha que ser assim.

Foi aí que a fábrica de raios voltou a funcionar. Era Copa do Brasil. Depois de passarmos pelo fraquíssimo Palmeiras, só pegaríamos “pedreira” até a final, com a chance de enfrentarmos o crüzeiro na melhor fase da sua história. Pra muitos, um azar. Mesmo depois de enfiarmos 4×1 no Corinthians, muita gente duvidou que teríamos força para reverter o placar diante do Flamengo, mas assim como minha avó falava de espelho e guarda-chuva, a narração do gol rubronegro decretando-o “classificadasso”, atraiu mais uma tempestade de raios para o Mineirão. Outra virada louca. Estávamos na final e era o crüzeiro.

Aí eu pensei que seria complicado. Que nada. Vencemos tranquilamente, sem raio, nem nada. Dois jogos de supremacia total, tanto no Independência, quanto no Mineirão. E fomos campeões.

2015 começa nesse domingo! Prepare o coração porque, certamente, será sofrido. Eu já estou acostumado. Desde aquela cabeçada do Leo Silva, aos 47′ contra o Flu, eu ouvi essa história de que  “raio não cai duas vezes no mesmo lugar” uma porrada de vezes. E, honestamente, já não sei mais quem acredita nesse lorota.

Preparem os pára-raios aí. Se Deus quiser, esse ano tem mais.

QUE 2015 SEJA MÁGICO TAMBÉM

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Reveillon alvinegro é taça no Salão de Festas.

Fala, raça!

Celebramos o término de mais um ciclo e os momentos que vivemos nele estarão para sempre nas nossas melhores lembranças. Foi um ano de muito “atrupelamento”, de quartas-feiras intermináveis – afinal de contas, sempre vai ter mais nesse dia engraçado que nunca chega de verdade – e uma lição de vida: acreditar é muito melhor do que “ter certeza”, até porque somente os tolos têm certeza, já dizia o poeta candango Evan do Carmo.

Foi assim, acreditando no improvável, que levantamos mais dois canecos nesse ano que passou e fomos elevados ao status de “melhor clube brasileiro da temporada” mais uma vez, segundo o IFFHS. Não que eu ligue pra isso. Na verdade, não tô nem aí para o que o IFFHS diz, mas é que esse ranking deixa nossos rivais tão descontrolados que fica divertido lembrar dele, só de sacanagem.

Agora, 2014 já é passado e os feitos nele realizados são história. 2015 está aí, as esperanças estão renovadas e a confiança em mais um ano vitorioso transborda em nossas taças. Com a humildade de sempre, a alegria de sempre e a raça de sempre, chegaremos lá, mais uma vez. Podem apostar.

Nesse primeiro dia de 2015, gostaria de abraçar cada um de vocês como se aquele gol do Luan – o quarto contra o Flamengo – acabasse de acontecer no Mineirão, agradecendo por estarmos juntos torcendo contra o vento, acreditando até o fim, incondicionalmente.

Porque essa é a nossa sina.

Vocês estão preparados? Que venham os desafios.

#GaloSempre

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com

NUNCA NOS ESQUECEREMOS

kalil

“Tudo mentira. Vocês nunca foram chatos.”

Prezado Alexandre,

Venho, por meio dessa, pedir desculpas. E agradecer. Aliás, mais agradecer que pedir desculpas. O que você fez por este Galo nunca foi feito antes. Você adiantou nossa história – atrasada por más gestões – em 10 anos.

Do dia 30/10/2008, lembro de você eleito, e, quando carregado, chorou e lembrou do seu pai. Lembro como me senti vendo você encarando de frente críticas e problemas. Lembro de tentar ter paciência para planejamentos mesmo vendo dia a dia nosso time ser derrotado e levar surras fora de campo.

Sabe, Kalil, a maioria da torcida hoje não viu seu pai ser presidente. A maioria de nós não viu o Atlético guerreiro de seu pai, ou dos antecessores. Quem nasceu da década de 80 em diante viu um Atlético diferente. Da década de 90 em diante, quase sempre bagunçado. As vezes muito forte, mas mal gerido, em outras fraco mas guerreiro, porém nunca completo. Lembro do esforço que foi 1999, onde estivemos perto (ah, como estivemos!), mas tropeçamos em um rival estruturado em 2 anos. Nosso planejamento era de três em três meses. E quem era o peito aberto naquela gestão? O Sr., Kalil, era a “cara dada a tapa” em um clube sem presidente. Vivemos então uns 3 anos de time equilibrado que não se sustentava. O futebol estava em crise, e o Galo sofreu muito com isso. Vimos calados nosso rival conquistar o que lhes faltava, e, depois disso, só comemorávamos o fato de sermos atleticanos. Vibramos com uma goleada inesquecível, culminada com um gol de costas, que será eternamente lembrado, mas não trazia novidades. Tivemos sim alguns elencos bons, porém, eram equipes sem estrutura, que sistematicamente brigavam em partes da tabela que não eram compatíveis com a grandeza de nosso clube.

Mas em 2008, ao final do ano, você entrou. A princípio foi muito difícil, um técnico querido mas ultrapassado, que não durou um campeonato mineiro. 2009 seguiu e, por um momento, faltando 7 rodadas pro final do BR-09, só dependíamos da gente. O final foi melancólico, mas parecia que a maré mudaria. Os anos seguintes também não foram bons, e amargávamos resultados e piadas do rival que já se tornavam quase irrevidáveis. Sua paixão era como a nossa, e víamos seu abatimento e preocupação. A situação do clube doía no torcedor, que se revoltou contra você.

Torcedor não enxerga dia a dia, Kalil. Torcedor não acompanha trabalho interno. Torcedor não via que a estrutura construída era para caber, em tamanho real, o gigante encaixotado que o senhor recebeu. O que nós não esperávamos veio. O que há muito nossa própria garganta suprimia seria gritado, mas não sabíamos. Ninguém sabia. Aliás, acho que o senhor sabia, mas quis que nós torcedores víssemos. Cheguei a achar que o Galo precisaria se reinventar, esquecendo que um dia foi grande. Neste momento, reneguei você em sua reeleição, reneguei minha esperança, minha alma. Ainda vi um contrato com um estádio menor, que aparentemente diminuiria a torcida. Como eu te amaldiçoei por isso. Kalil, qual raiva não senti. Kalil, como eu odiei sua presença no meu Galo naquele momento, e COMO EU ESTAVA ERRADO! Ah, Deus, obrigado, eu estava errado! Que delícia foi pagar a má língua nesse tempo.

Estava deitando para dormir numa noite, incrédulo por saber quem estava começando a jogar no Galo. Aí li aquele seu tweet, falando “à minha torcida: somos grandes demais”.

Essas palavras me desarmaram. Desarmaram uma massa que só protestava, e havia comemorado muito timidamente uma conquista invicta. Vimos uma serie de injustiças, aliadas a um desempenho fraco como visitante, nos tirar um campeonato brasileiro que tinha nosso nome reservado a ele. Tentaram rir do nosso vice, mas o sr, Kalil, não permitiu. Aquele 2012 foi o estagio final, a etapa de aprendizagem que faltava.

O ano de 2013 foi inesquecivel. Você e sua mania de grandeza devolveram o tamanho ao Atlético-MG. Sua obstinação foi compensada com juros e correção cármica. Kalil, ganhamos uma Libertadores; UMA LIBERTADORES! Qual torcedor imaginaria que sairiamos do tal jejum de 40 e tantos anos (pra mim 15, pois uma Conmebol nunca pode ser desprezada) com uma LIBERTADORES?

A taça de 2013 não foi qualquer uma. Para você, não bastava ganhar, mas ganhar junto com toda a torcida. Queria que a torcida ganhasse os jogos. E fez, um por um, uma nação acreditar. O lema da vida de muita gente hoje se tornou acreditar. E acreditar se tornou Atleticar. Nós acreditamos, nós atleticamos, nós, atleticanos. Todos os seis anos de gestão estavam justificados ali, mesmo com o tropeço no Marrocos. Doeu, mas pra quem sofria com 15º lugar na tabela, aquela dor era facil ser suportada.

E mesmo com a taça conquistada, mesmo com a tal ressaca de títulos, você teve amparo de pessoas competentes que não te deixaram sossegar com essa conquista. Vimos o governo segurar nosso dinheiro e isso se tornar um avanço para a contínua restruturacao que você consolidou. Vimos um time que brigaria somente por G4 se engrandecer, e, aos 39 minutos do segundo tempo da sua gestão, a torcida acreditou. Acreditamos porque você e sua mania de grandeza nos refizeram gigantes, acreditamos porque a cachorrada nunca vai abandonar a fé inabalável, necessária para ser torcedor do Galo. Você fez a torcida soltar um grito entalado por injustiças que vinham desde a época do seu pai. E, quando tudo pareceu perdido, nós ATLETICAMOS. E conquistamos uma copa vencendo aquele que foi chamado de o “Clássico dos Clássicos”. Vencemos um título nacional contra o maior rival, eliminando o segundo maior rival e uma pedra no sapato “de lambuja”. Uma conquista no nível Panteão dos Heróis Nacionais.

Kalil, hoje, em dia de tempestade, o torcedor do Galo leva a camisa ao varal, pendura ela e grita aos ventos: “Aqui É Galo”.

E isso tudo é culpa sua.

*Por Mário Romualdo, especialmente para o Terreirão, no globoesporte.com

RESGATAMOS NOSSA HISTÓRIA

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Por Daniel Resende*, especialmente para o Terreirão.

A massa alvinegra vive, mais do que nunca, seus anos de ouro. Don Corleone já dizia que o importante é sempre fazer bons negócios e assim segue o matrimônio entre o esquadrão alvinegro e torcida mais fanática do país. Não importa onde, não importa quando, nem quantos. Pode ser o exército de um homem só nas arquibancadas. Esse único louco atleticano calará a multidão do outro lado, pois o grito preto-e-branco é mais alto, assim como a raça de quem defende essa camisa se torna soberana sobre a técnica.

Quem me dera fossem todos os títulos inéditos. Eu e, com certeza, tantos outros milhões, comemoramos como se não houvesse o amanhã. Tem gente na Praça 7 até agora achando que ainda é dia 26 de novembro. E daí? Para quem viveu o que vivemos na últimas semanas, uma simples confusão com o calendário não é nada. A verdade é que o atleticano merece tudo que vêm conquistando e muito mais. Não há justiça maior do que essas vitórias acachapantes contra nossos três maiores rivais: Flamengo, CEC e Corinthians. Agora, tudo está em seu devido lugar.

Precisamos lembrar ainda que, não fosse um erro grotesco de arbitragem na final do Campeonato Mineiro deste ano, nos juntaríamos a Cruzeiro, Paysandu, Sampaio Correa, Santos, Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Grêmio na conquista da “tríplice coroa genérica”. Obviamente não comemoraríamos conquista tão tosca, ao contrário de alguns por aí que acreditam verdadeiramente que tal façanha os coloque no mesmo patamar de um Bayern da vida. É triste saber disso, em plena era da informação.

Certa vez, Ayrton Senna deu uma declaração reflexiva: “o dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa e que ela vai chegar”. Nessa frase, Senna se referia à morte. Contudo, para o Galo, esse trecho se remete à vida, à glória. Nossos dias chegaram com justiça e merecimento. Não mais dependemos da sorte, pois temos competência de sobra. Nunca deixamos a prepotência tomar conta de nossos corpos, pois somos filhos do “eu acredito”. Foi assim, com humildade, garra e confiança, que chegamos até aqui.

Serei eternamente grato à esses jogadores, por terem encarnado a alma atleticana e defendido nossas cores verdadeiramente. Com os olhos suados, não me resta muito mais a dizer.

Somos campeões. Saudações!

*Daniel Resende é jornalista no interior mineiro. Assim como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmresende

HASTA LA VITORIA, SIEMPRE!

 

leo

Leonardo Silva levantou o troféu e toda arrogância foi, finalmente, castigada.

Fala, raça!

Quando eu me ajoelhei no Mineirão para  agradecer aquela vitória épica sobre o Corinthians, não fazia a menor idéia do que o destino ainda nos reservava. Naquele momento, me bastava aquilo: eu tava com a alma lavada, sentia que 99 fora vingado e tava tudo certo. Aí veio o Flamengo com aquela marra toda, munido da confiança de quem sabe que se não for na bola vai ser no apito. Outra vez terminei o jogo de joelhos, no chão de concreto, enquanto a Massa festejava no Gigante da Pampulha: o Galo havia sido heróico novamente. Confesso que já não sabia mais se éramos um time de futebol ou cobradores do SPC/SERASA vestidos de preto e branco, correndo atrás daqueles que insistiam em fugir de suas obrigações para com a sociedade. Tomado pela alegria, decretei que parte da dívida rubro-negra estava quitada e que o restante do saldo devedor poderia ser parcelado, ad aeternum, tipo o Refis do governo federal. E fomos para a decisão.

A diferença é que dali pra frente eu não queria apenas vencer mais um jogo. Sabia que poderíamos mais. E eu comecei a desejar mais, como um faminto que já olha para o segundo prato de comida sem nem mesmo ter terminado o primeiro. Eu tinha fome de vitória e sede de vingança. Mais do que nunca, desejei ser campeão e aquilo agora era questão de honra.

Foi quando o destino aprontou mais uma vez e colocou o cruzeiro na nossa reta. O maior clássico de todos os tempos! O tira-teima do futebol nacional, o jogo entre as duas melhores equipes do país, o oásis do futebol mineiro. Nunca antes o Galo e seu maior rival haviam se enfrentado numa decisão dessa envergadura. Nunca antes estiveram em estado de graça ao mesmo tempo. Nunca. Nos últimos dois anos, Atlético e CEC jogaram o fino da bola, dominaram o futebol continental e tupiniquim. Todos questionavam qual deles era melhor, coisa difícil de responder dados os parâmetros de comparação. Em 2014, os dois times ficaram frente a frente e essa pergunta foi, finalmente, respondida.

O futebol mais vibrante, apaixonante e empolgante do país foi também o mais técnico e eficiente. Dois jogos, duas vitórias. Inquestionável. Como um rolo compressor, passamos por cima do esquadrão celeste como se estivéssemos enfrentando uma Tombense da vida, em jogo treino. A superioridade foi tamanha que Victor, acostumado a operar milagres nas grandes decisões, não precisou fazer nenhum nessa final. Na moral? Foi mais fácil do que imaginei, o que só confirma o que eu, você, o cara da BHTrans e o Brasil inteiro já sabíamos: é jogo contra o Galo, elas tremem mesmo.

Que venha a Libertadores 2015, porque meu portunhol meia-tijela já está calibrado.

Hasta la vitória, siempre!

*Post originalmente publicado antigo Terreirão, no globoesporte.com